São Paulo: veja quem são os pré-candidatos ao governo do estado e ao Senado

Recém-filiado ao PSDB, que governa o estado desde 1995, Rodrigo Garcia tentará manter o legado tucano; Haddad e Márcio França ainda não decidiram futuro

Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de SP
Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de SP Governo de SP

Brayan Valêncio*colaboração para a CNN

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O maior colégio eleitoral do país aguarda algumas definições sobre quem disputará o Palácio dos Bandeirantes. O governador eleito, João Doria (PSDB), renunciou para disputar a Presidência da República; seu vice, Rodrigo Garcia, assumiu o cargo e deve concorrer à reeleição.

Um levantamento realizado pela CNN apontou quem são os pré-candidatos para o governo estadual e para o Senado em São Paulo. Vale destacar que os partidos podem mudar as indicações até 5 de agosto, quando acaba o prazo para as convenções.

Os pré-candidatos ao governo estadual

A saída de Doria sela, em tese, o nome do atual governador, Rodrigo Garcia (PSDB), para a disputa estadual. Sua entrada no partido tucano, que comanda o governo paulista desde 1995, ocorreu em 2021, justamente para que ele sucedesse Doria. Garcia era filiado ao DEM desde 2007; o advogado e empresário já foi deputado estadual e federal e passou por várias secretarias. É o principal nome do legado da atual gestão.

Como candidato de oposição surge, novamente, o professor Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Educação, ex-prefeito de São Paulo e concorrente derrotado no segundo turno das eleições presidenciais de 2018. Ele é o nome que busca unificar a voz daqueles contrários à continuidade da gestão tucana, que elegeu Mário Covas, Geraldo Alckmin, José Serra e João Doria, governadores ao longo dos últimos 28 anos.

Haddad espera receber o apoio de Alckmin, que neste momento tem um acerto com o PSB para se viabilizar como vice na chapa de Lula (PT) à Presidência da República.

As costuras políticas em torno de Haddad ainda dependem dos rumos de Márcio França (PSB), ex-governador de São Paulo que assumiu o cargo, à época, após a renúncia de Alckmin para concorrer à Presidência em 2018.

França foi derrotado no segundo turno por menos de 3 pontos percentuais para Doria na última eleição para governador e, em 2020, terminou a corrida pela prefeitura da capital em terceiro lugar . A principal possibilidade entre caciques que desejam unificar PT e PSB é que França seja vice de Haddad ou concorra a uma vaga no Senado, mas nada está definido. O ex-governador mantém sua pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes.

Para correr por fora da disputa PSDB-PT, surge o nome do ex-ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas, recém-filiado ao Republicanos. Ele é a aposta de Jair Bolsonaro no maior colégio eleitoral brasileiro. Considerado um nome técnico e pouco ideológico, Tarcísio é a imagem que o governo federal quer passar para exemplificar como foram os últimos quatro anos do governo, e, consequentemente, ter um palanque forte na capital econômica do país.

Engenheiro e militar da reserva, Tarcísio foi responsável pelo programa de privatizações no governo Dilma Rousseff e está ao lado de Bolsonaro desde o período de transição, no final de 2018.

Pelo Novo, Vinicius Poit, deputado federal em primeiro mandato, anunciou a pré-candidatura ao governo paulista. Ele se elegeu na onda da renovação política em 2018, é formado em administração de empresas e já atuou no mercado financeiro.

Já o PDT anunciou a filiação de Elvis Cezar, ex-PSDB, e anunciou que o político foi convidado para ser pré-candidato ao governo do estado. Cezar foi prefeito de Santana do Parnaíba entre 2014 e 2021 e também é apresentador de TV.

O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub é mais um que se coloca à disposição para a disputa pelo PMB, que buscar mudar de nome para Brasil 35. Mesmo fortemente ligado ao bolsonarismo, não deve contar com apoio do presidente, já que o governo federal está focado em eleger Tarcísio de Freitas. Weintraub surge como um outsider e deseja carregar a imagem de candidato tipicamente conservador.

O nome de Weintraub ganhou repercussão pelas inúmeras controvérsias em que se envolveu no período em que comandou o Ministério da Educação e por ter supostamente criado uma “guerra ideológica” contra militantes de esquerda que estavam na pasta. Apesar de ter sua permanência bancada por Bolsonaro, acabou desgastado por ter sugerido “botar os vagabundos” do Supremo Tribunal Federal na cadeia. Desde então, é diretor no conselho do Banco Mundial. Mesmo longe do Brasil, segue colecionando críticas pela postura combativa que adota em redes sociais.

O prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth, recentemente deixou o PSDB e se filiou ao PSD, após convite de Gilberto Kassab. O partido o lançou como pré-candidato ao governo paulista e seu nome já aparece nas pesquisas eleitorais. Ex-secretário de Transportes e Assessor de Planejamento de Comunicação de São José dos Campos, Ramuth foi eleito prefeito em 2016 e se reelegeu quatro anos depois.

Pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), o nome de Gabriel Colombo foi confirmado como pré-candidato. Ele entra no pleito na tentativa de causar uma “revolução socialista” no país, já que não acredita que seja possível humanizar o capitalismo. A disputa em São Paulo é um dos pólos que o partido acredita ser necessário conquistar para iniciar essas mudanças estruturais.

O PSTU lançou o nome de Altino Prazeres Junior como pré-candidato ao governo de São Paulo. Ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Indústrias Químicas de Pernambuco, ele migrou para São Paulo em 1995 e trabalha no metrô há 25 anos. Entre 2010 e 2016, presidiu o Sindicato dos Metroviários de São Paulo. É formado em matemática pela USP.

Os pré-candidatos ao Senado

Com as indefinições sobre candidaturas ao governo, o cenário para a disputa pelo Senado em São Paulo também fica nebuloso.

Um dos nomes que pode concorrer à cadeira de senador é Márcio França (PSB), que deseja disputar o governo, mas, dependendo das articulações, pode mudar o foco para Brasília.

Já o atual senador José Serra (PSDB) está em final de mandato e pode concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados. Em 2021, Serra chegou a tirar uma licença médica, mas alega que está bem de saúde para seguir na carreira política.

O apresentador de TV José Luiz Datena migrou para o PSC no fim do prazo da janela partidária e foi anunciado como o nome ao Senado na chapa de Tarcísio de Freitas. Datena passou por vários partidos e cogitou algumas vezes a entrada na política, mas nunca chegou a concorrer a nenhum cargo.

Caso a opção por Datena não se confirme, o ex-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo Paulo Skaf, que se filiou ao Republicanos, poderia ser uma alternativa. Skaf foi candidato derrotado ao governo paulista em 2010, pelo PSB, e 2014 e 2018, pelo MDB.

No União Brasil, a recente filiação do até então presidenciável Sergio Moro levou o nome do ex-juiz federal a ser cogitado como candidato do partido para o Senado por São Paulo, onde ele estabeleceu seu domicílio eleitoral. Caso Moro não concorra, o deputado federal Junior Bozzella afirmou que poderá ser o candidato do União Brasil ao Senado. Milton Leite, presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo, é outro nome ventilado como possível escolha do partido.

Segundo o presidente do PDT, Carlos Lupi, o pré-candidato ao Senado pelo partido em São Paulo é Aldo Rebelo, ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff, além de ter sido presidente da Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007. Rebelo, que passou 20 anos no PCdoB, estava sem partido desde 2019, quando saiu do Solidariedade.

A deputada estadual Janaina Paschoal, que foi recordista de votos na eleição de 2018, se filiou ao PRTB para concorrer ao Senado. Seu nome é atrelado ao impeachment de Dilma Rousseff, já que foi uma das autoras do pedido que prosperou e foi responsável por afastar a petista.

Janaina chegou a ser convidada para ser vice de Bolsonaro em 2018, mas recusou. Também trocou farpas com bolsonaristas ao criticar algumas atitudes do presidente, mas utiliza suas redes para apoiar muitas condutas dele, principalmente relacionadas à pandemia.

Outro nome da direita confirmado como pré-candidato é Arthur Weintraub (PMB), que será o nome ao Senado na chapa do irmão Abraham Weintraub. Arthur foi assessor especial do presidente Jair Bolsonaro.

A médica Nise Yamaguchi (PTB), defensora do uso da cloroquina no tratamento contra a Covid-19 e que foi acusada de participar de um “gabinete paralelo” da Saúde durante a pandemia, se filiou no final de fevereiro para concorrer ao Senado. Sua ideia é angariar os votos dos conservadores. A médica teve uma passagem marcante como depoente na CPI da Pandemia, no ano passado, e chegou a constar no relatório final entre as sugestões de indiciamentos.

Pelo Novo, o pré-candidato ao Senado é o deputado estadual Ricardo Mellão, que assume a liderança da bancada do partido na Assembleia Legislativa.

Já o deputado estadual Heni Ozi Cukier, eleito à Assembleia Legislativa paulista pelo Novo, sairá como pré-candidato ao Senado pelo Podemos.

O primeiro turno da eleição de 2022 está marcado para acontecer no primeiro domingo de outubro, dia 2. E, caso seja necessário, o segundo turno será realizado no dia 30 do mesmo mês.

Confira abaixo os senadores cujos mandatos terminam em 2023. As vagas deles no Senado estarão em jogo nas eleições deste ano

 

CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto pela TV e por nossas plataformas digitais.

*Com informações de Giovanna Galvani, da CNN, em São Paulo

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