Senadores divergem sobre eventuais crimes em reunião ministerial com Bolsonaro

Humberto Costa (PT-PE) e Eduardo Gomes (MDB-TO) participaram do Debate 360 nesta segunda-feira (25)

Da CNN, em São Paulo
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https://www.youtube.com/watch?v=sp78_OLwjmc

Os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Eduardo Gomes (MDB-TO) participaram nesta segunda-feira (25) do Debate 360, na CNN, e discordaram em relação ao conteúdo apresentado no vídeo da reunião ministerial de 22 de abril. Enquanto Costa diz que a reunião apresentou "crimes", Gomes -- que é vice-líder do governo no Senado -- considera que o vídeo serviu como aprendizado e que não há cometimento de crime na fala do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ou dos ministros. 

O senador Humberto Costa iniciou a discussão dizendo que a reunião foi "um verdadeiro teatro de horrores".

"Já participei de vários governos, até mesmo como oposição, para dialogar em eventos com governantes, e nunca vi algo nesse nível. Sem contar que vários crimes foram cometidos, como atingir a honra dos integrantes do STF, a confissão de crimes preparados pelo ministro do Meio Ambiente, quando confessa que pretende aproveitar a cobertura da imprensa para passar uma serie de desregulamentações na área do meio ambiente", afirmou o petista.

Ainda segundo Costa, o ministro da Economia, Paulo Guedes, debochou dos pequenos e médios empresários e Bolsonaro deixou "evidente e claro que pretendia interferir na Polícia Federal".

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Em contrapartida, Gomes disse acreditar que o vídeo não comprova uma suposta tentativa de interferência na PF.  

“Há um questionamento sobre a fala de vários ministros, mas não há uma decisão de forma concreta que o presidente estaria interferindo na Polícia Federal. Isso não aconteceu, é uma visão de diversos líderes, não só minha. As críticas são abertas, o sistema é democrático, mas o que se propunha a divulgação do vídeo, nesse aspecto podemos dizer que não houve crime por parte do presidente da República”.

Coronavírus

Ações governamentais no apoio ao combate ao novo coronavírus no Brasil foram tratadas de forma diferenciada pelos senadores, que discordaram sobre a efetividade do governo diante da pandemia. 

“O que posso garantir para a sociedade brasileira é que, desde o início dessa crise, o governo tem se reunido e provocado ações, principalmente estruturais ao mercado, com relação ao envio de recursos. O governo está disposto a liberar recursos, passando aos estados e municípios, dentro do possível, para o combate do Covid”, afirmou Gomes.

Costa destacou a animosidade entre a presidência e os governadores como um dos fatores prejudiciais no enfrentamento da pandemia. 

“O presidente já ameaçou, inclusive, os governadores e os prefeitos. Aqui é cada um por si e Deus por todos. Por que o governo federal não assume esse papel? Naquela reunião parecia que estávamos no planeta Marte, o Brasil mergulhado em coronavírus e o que se falava era ações de apoiar o presidente, a boiada que vai passar e não se falava nada em termos de ações para enfrentar a pandemia ou recursos para o tratamento. É como se o governo estivesse totalmente alheio ao que está se passando no Brasil”, disse. 

“Há a narrativa política que se concentra um pouco mais no Rio e São Paulo, tratativa política que prejudica o país. Com relação ao tom de voz do presidente, ele foi eleito com esse jeito, existe um tom de sinceridade. O resto vai entrar no folclore brasileiro, para aquilo que as pessoas dizem dos presidentes todos. Mas ali era um brasileiro comum, indignado e falando de maneira forte, eu não faria da mesma forma, mas esse é o jeito dele”, afirma Gomes. 

Ministros

Ainda sobre a reunião ministerial de 22 de abril, ambos os senadores concordaram com a “gravidade” das falas apresentadas pelos ministros e, deram ênfase ao contexto da declaração do ministro da Educação, Abraham Weintraub, quando ele sugere mandar prender os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Quero deixar claro que a fala do ministro da Educação é reprovável. É importante saber em que contexto ele disse isso, depende da prorrogativa, mas não justifica. O respeito entre os três poderes deve ser sagrado. Não digo que por isso o presidente tenha que ser 'impeachmado'”, disse Eduardo Gomes. 

“Foram falas muito graves, a do ministro da Educação que é uma decepção, não só pelo seu linguajar, mas por espalhar fake news. O que ele fez, de chamar os ministros do Supremo de vagabundos, o presidente devia ter chamado a atenção dele na hora. Não poderia de forma alguma parecer que o presidente da República concorda com aquilo, o presidente deve tomar uma decisão”, afirmou Costa.