Silêncio de Bolsonaro sobre a prisão de Jefferson pode afastar conservadores

Supremo Tribunal Federal acusa o ex-deputado de participar de uma milícia digital em ataques às instituições democráticas

Da CNN, em São Paulo

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ainda não se manifestou sobre a prisão do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), preso preventivamente pela Polícia Federal (PF) na manhã desta sexta-feira (13), após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O silêncio de Bolsonaro pode afastar os conservadores mais radicias, segundo o analista político da CNN Caio Junqueira.

No governo de Jair Bolsonaro, Roberto Jefferson fez barulho como um aliado contundente das políticas defendidas pelo presidente. Apesar do histórico de envolvimentos com escândalos de corrupção, Jefferson teve alinhamento ideológico com o Bolsonaro ao longo dos últimos anos.

Agora, após a prisão do ex-deputado, aliados bolsonaristas estão aguardando o sinal do líder, Jair Bolsonaro. Segundo análise de Caio Junqueira,  se o presidente mantiver o silêncio em relação à Roberto Jefferson, pode haver um afastamento dos conservadores mais radicais, dos extremistas. 

Supremo Tribunal Federal unido

O Supremo Tribunal Federal (STF) exibe atualmente uma união jamais vista, segundo a analista de política da CNN Thais Arbex.

Em sua análise, Arbex defende que não haveria outro caminho para o STF que não fosse a união, pois, não existe outra forma de conter os ataques à democracia. Recentemente, os ministros  Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso participaram juntos de um debate, apesar de apresentarem-se em alas opostas. 

A união torna-se ainda mais forte e evidente quando, do outro lado do embate, encontra-se Jair Bolsonaro e deputados incitando ataques à democracia. E, o que se vê atualmente, é o presidente adotando cada vez mais o discurso crítico em relação à Corte. 

Ambos os analistas concordam que, em um embate político, quem tem a iniciativa é o Supremo Tribunal Federal. 

Não existe Constituição se acima de tudo não houver democracia, e esse limite que tem que ser posto, pontua a analista Thais Arbex. Os analistas reiteram que não se pode fazer incitação ao crime, não se pode permitir que a democracia seja banalizada ou ameaçada. 

(Publicado por Anna Gabriela Costa)

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