SP: Prefeitura avalia transformar Cracolândia em praça com parque e quadra

Em maio deste ano, fluxo de usuários de entorpecentes que ficava principalmente na Rua dos Protestantes, região central da capital paulista, praticamente desapareceu

Manoela Carlucci, da CNN, São Paulo

A Prefeitura de São Paulo está estudando a possibilidade de construir uma praça, com espaços de lazer e esporte, na região onde ficava a maior parte dos usuários que viviam na chamada Cracolândia.

De acordo com o vice-prefeito da capital paulista, Coronel Mello Araújo (PL), a ideia surgiu depois de uma conversa com os comerciantes da região e já foi levada ao prefeito Ricardo Nunes (MDB), que concordou com a iniciativa.

"Este desejo não fui eu que fiz. Simplesmente levei o que a comunidade local queria. Inclusive, tem um prédio cheio de moradores que devem ter crianças que nunca saíram de casa", afirmou Mello Araújo à CNN.

O desenho do projeto, que a CNN teve acesso, prevê a instalação de um parquinho, uma quadra e aparelhos de ginástica, além de outros aparelhos para convívio comum, como mesas e cadeiras. Veja:

O projeto ocupa a esquina entre a Rua General Couto de Magalhães e a Rua dos Protestantes, justamente onde a Prefeitura construiu um muro, que acabou por gerar polêmica no início deste ano.

Na época, parlamentares acusavam o prefeito de segregação. O caso foi parar no Supremo Tribunal Federal, que cobrou explicações.

Em resposta, Nunes afirmou que a construção teve por objetivo evitar acidentes, especialmente atropelamentos e não buscou segregar ou restringir o direito de ir e vir das pessoas em situação de rua. Ele argumentou que a área já possuía um tapume de metal com esse mesmo objetivo, mas que ele passou a ser depredado e rompido pelos usuários que se agrupavam ali.

Cracolândia vazia

No dia 14 de maio deste ano, a Rua dos Protestantes, principal ponto de concentração da Cracolândia na região da Santa Ifigênia, amanheceu vazia. O fluxo de usuários de entorpecentes, como é conhecida a aglomeração, praticamente desapareceu.

Em coletiva de imprensa na mesma data, Nunes comentou o esvaziamento, afirmando que tinha relação com um trabalho contínuo da prefeitura e do governo estadual.

"Surpreendeu, verdadeiramente, obviamente que a gente já vinha reduzindo gradativamente, todos os dias vinha reduzindo a quantidade de pessoas lá", disse na ocasião.