STF analisa recurso de vice na chapa de Cláudio Castro ao governo do RJ

Washington Reis (MDB) contesta condenação de 2016 por crime ambiental

Pauline Almeida, da CNN, no Rio de Janeiro
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A 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para esta terça-feira (30) a análise de um recurso do ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB), pré-candidato a vice-governador do Rio de Janeiro, na chapa de Cláudio Castro (PL) à reeleição.

O político da Baixada Fluminense tenta reverter uma condenação de 2016 por crime ambiental e loteamento irregular.

Por conta dessa condenação, a Procuradoria Regional Eleitoral entrou com uma ação de impugnação contra a candidatura de Reis e argumenta que a decisão colegiada no STF está válida, mesmo com o último recurso do político ainda em tramitação. O Ministério Público pede que o ex-prefeito tenha o registro indeferido pela Justiça Eleitoral.

Já Washington Reis afirma que aguarda uma decisão favorável nesta terça-feira e alega que há irregularidades na investigação. “Sou inocente, confio na Justiça e no meu Brasil”, declarou à CNN.

O julgamento do recurso chegou a ser pautado em junho deste ano, mas sofreu um adiamento por conta da ausência do ministro Gilmar Mendes, que estava com Covid-19. Neste mês, o assunto, que tem a relatoria de Edson Fachin, voltou a ser pautado por André Mendonça, que atualmente preside a 2ª Turma.

Entenda o caso

Em dezembro de 2016, o STF condenou Reis, à época deputado federal, a sete anos, dois meses e 15 dias de reclusão em regime inicial semiaberto, além do pagamento de multa. Ele é acusado de causar dano ambiental em um loteamento autorizado durante um de seus mandatos como prefeito de Duque de Caxias, na área que circunda a Reserva Biológica do Tinguá.

O relator do caso, o ministro Dias Toffoli, destacou no voto que o processo comprovou que Reis participou ativamente do loteamento, que ocorreu sem autorização do órgão público competente.

Para o relator, o depoimento de testemunhas mostrou que o réu acompanhava pessoalmente o andamento das obras e que também estaria construindo a própria casa no condomínio aprovado. No voto, Toffoli ainda destacou que laudos do Ibama mostram danos ambientais permanentes no local.

Já em novembro de 2020, a 2ª Turma do Supremo decidiu suspender os efeitos da condenação até que os embargos de declaração fossem julgados. Nesse ano, com base em uma liminar do STJ, Reis conseguiu concorrer à eleição municipal e se reelegeu prefeito de Duque de Caxias no primeiro turno.

O julgamento dos embargos de declaração ocorreu em março de 2021, quando foi mantida a condenação de Reis. A defesa alegava que a decisão da corte de 2016 se baseava em elementos colhidos durante a fase de inquérito, sem possibilidade de defesa. Mas a 2ª Turma entendeu que não houve “omissão, obscuridade ou contradição”.

Agora, nesta terça-feira, o STF julga mais uma ‘cartada’ de Reis. Caso ele perca, estará inelegível e pode ter o registro indeferido pela Justiça Eleitoral, que tem até o dia 12 de setembro para análise da candidatura.