STF decide julgar marco temporal em sessão presencial

Julgamento está agendado para a próxima quarta-feira (10)

Davi Vittorazzi, da CNN Brasil, Brasília
Imagem mostra dois indígenas em uma audiência de conciliação sobre Lei do Marco Temporal
Audiência de conciliação sobre Lei do Marco Temporal  • 05/08/2024 - Gustavo Moreno/STF
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O STF (Supremo Tribunal Federal) julgará em plenário presencial as ações que tratam do marco temporal para demarcação dos povos indígenas. O julgamento está agendado para a próxima quarta-feira (10).

O caso estava inicialmente marcado para ser analisado em plenário virtual em sessão entre os dias 5 e 15 de dezembro.

Segundo apurou a CNN Brasil, o julgamento foi colocado no plenário presencial após acordo entre os ministros da Corte.

O tema do marco temporal é polêmico por envolver interesse de setores sociais, ambientalistas, dos indígenas e dos setores do agro, com muitos representantes do Congresso Nacional.

O julgamento também deve ocorrer em meio a decisão polêmica do ministro Gilmar Mendes sobre a exclusividade dada à PGR (Procuradoria-Geral da República) para protocolar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.

No julgamento sobre o marco temporal, os ministros vão analisar uma proposta elaborada pela Comissão Especial formada na Corte, após 23 audiências.

O texto trata de um anteprojeto de lei que deve passar pelo plenário do Supremo e ser encaminhado ao Congresso Nacional.

A tese do marco temporal, prevista na Lei nº 14.701/2023, foi considerada inconstitucional pelo STF em setembro de 2023.

Conforme a lei invalidada, os povos indígenas só teriam direito à demarcação de terras se estivessem ocupando esses locais ou se já disputavam as áreas na data de promulgação da Constituição de 1988.

No entanto, após o ingresso de diversas ações na Corte — contra e favoráveis à lei e à decisão do Supremo — foi montada uma comissão especial para buscar um consenso sobre o tema.

Julgamento virtual x presencial

Na modalidade virtual, os ministros registram seus votos e manifestações em uma plataforma, dentro de um prazo previamente definido. São registrados em arquivos por escritos e não há uma ordem de votação, com exceção do relator, que sempre abre o julgamento.

No julgamento presencial, o caso é analisado durante as sessões plenárias que ocorrem às quartas e quintas, no horário entre 14h e 18h.

Quando o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, apregoa o caso para julgamento, o relator fala primeiro ao ler o relatório do caso e, em seguida, são feitas sustentações orais das partes e dos colaboradores da ação.

Terminada a parte de sustentações, o relator profere seu voto, na situação o ministro Gilmar Mendes, e depois os demais ministros votam, pela ordem do mais novo a integrar a Corte ao mais velho, e o último voto é feito pelo presidente do colegiado.