STF reconhece racismo estrutural e manda governo criar plano de combate

Executivo terá um ano para criar plano nacional de enfrentamento ao racismo com diretrizes definidas pelos ministros

Gabriela Boechat, da CNN Brasil, Brasília
Compartilhar matéria

Por unanimidade, o STF (Supremo Tribunal Federal) reconheceu nesta quinta-feira (18) a existência do racismo estrutural e de graves violações aos direitos da população negra no Brasil e determinou que o governo federal crie, em até 12 meses, um plano nacional de enfrentamento ao problema.

O plano deverá prever ações concretas em áreas como acesso à saúde, segurança alimentar e segurança pública. A Corte também determinou a adoção de medidas de caráter reparatório, entre elas estão ações de preservação da memória, valorização do papel das populações discriminadas na formação étnico-cultural do país, no sistema educacional formal e a garantia de atendimento humanizado em serviços públicos.

O plano deverá ainda revisar os critérios de acesso por cotas no ensino e nos empregos, com o objetivo de evitar baixa efetividade causada por métodos inadequados ou obstáculos desnecessários.

Outra determinação é a capacitação de professores para o ensino da história e da cultura afro-brasileira, inclusive com cooperação de universidades do continente africano.

O STF também estabeleceu que o Poder Executivo, por meio da Secretaria de Comunicação Social, promova campanhas na mídia contra o racismo e o preconceito contra religiões de matriz africana, incluindo veiculações em emissoras públicas e institucionais.

Além disso, a Lei Rouanet e outras leis de incentivo à cultura deverão priorizar projetos com presença relevante de pessoas negras.

A revisão ou elaboração do plano ficará sob a coordenação do Ministério da Igualdade Racial e deverá contar com a participação de outros ministérios e da sociedade civil. O documento deverá ser concluído em até 12 meses e será submetido à homologação do STF.

Apesar desse entendimento final, a Corte decidiu que não há um “estado de coisas inconstitucionais” no país, um conceito usado para reconhecer que há uma situação grave, permanente e generalizada de violação de direitos fundamentais, causada por falhas estruturais do Estado.

Sobre esse ponto, a maioria dos ministros considerou que o governo já vem adotando medidas contra o racismo nos últimos anos, portanto não haveria uma efetiva omissão do Estado.

A ação que resultou na decisão foi proposta pelos partidos PT, PSOL, PSB, PCdoB, Rede, PDT e PV. As legendas apontaram ações e omissões do Estado que, segundo elas, violam direitos fundamentais da população negra, como o direito à vida, à saúde, à segurança e à alimentação digna.