STF reposta entrevista de autor que vê Brasil mais democrático que os EUA
Autor de “Como as Democracias Morrem” diz que instituições brasileiras responderam melhor às ameaças antidemocráticas que as americanas

O perfil oficial do STF (Supremo Tribunal Federal) no X (ex-Twitter) republicou nesta terça-feira (22) uma entrevista do escritor americano Steven Levitsky em que ele afirma que, hoje, o Brasil tem um sistema mais democrático que os Estados Unidos.
O autor do best-seller “Como as Democracias Morrem” disse à BBC Brasil que as instituições brasileiras responderam melhor às ameaças antidemocráticas do que as americanas fizeram em um cenário semelhante, após a tentativa de invasão ao Capitólio em 2021.
"Acho que hoje o Brasil é um sistema mais democrático do que os Estados Unidos. Esse pode não ser o caso daqui a um ano, mas hoje as instituições brasileiras estão funcionando melhor", disse.
Levitsky, no entanto, faz ponderações sobre o protagonismo da Corte. De acordo com a BBC, o escritor afirma que o STF fez um trabalho relevante de proteção à democracia durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), mas que precisa voltar "para o seu devido lugar" assim que a crise atual for superada.
O escritor também criticou a ação do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, para com o Brasil. Segundo ele, as interferências de Trump são "mais personalizadas, desinformadas e arrogantes" do que as ações norte-americanas durante a Guerra Fria, quando o governo de George Washington apoiou a realização de golpes militares na América Latina.
Trump anunciou no início do mês que irá aplicar uma tarifa de 50% sobre os produtos importados do Brasil. A nova alíquota entra em vigor a partir do dia 1º de agosto.
No anúncio, o norte-americano afirma que a cobrança é necessária tendo em vista a postura do STF para com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na sexta-feira (18), Trump fez um ataque direto à Suprema Corte e anunciou a revogação de vistos de oito ministros da Corte e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A medida se deu após o ministro Alexandre de Moraes impor medidas cautelares a Bolsonaro, como uso de tornozeleira eletrônica, toque de recolher e proibição de usar redes sociais.
Ao anunciar a medida, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que Trump deixou claro que o governo "vai responsabilizar estrangeiros responsáveis pela censura à expressão protegida nos Estados Unidos".


