Primeira Turma do STF retoma julgamento do núcleo 3; acompanhe ao vivo

Réus do núcleo 3 são acusados de terem planejado o assassinato de autoridades, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice, Geraldo Alckmin (PSB), além do ministro do STF Alexandre de Moraes

Da CNN Brasil, São Paulo e Brasília
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A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) retomou, às 13h50, o julgamento do núcleo 3 da trama golpista. A sessão foi iniciada com o voto do ministro Cristiano Zanin. Em seguida, vota a ministra Cármen Lúcia e, por último, o presidente da Corte, ministro Flávio Dino.

Durante a sessão da manhã, somente o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, votou para condenar nove dos dez réus do núcleo 3 no processo que apura uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

O núcleo 3 é formado por nove militares — entre os quais os chamados "kids pretos", integrantes das Forças Especiais do Exército — além de um agente da PF (Polícia Federal). O grupo é acusado de ter planejado o assassinato de autoridades, como o presidente Lula (PT), o vice, Geraldo Alckmin (PSB), e o ministro Alexandre de Moraes.

A Primeira Turma do STF retoma o julgamento dos acusados a partir das 13h45 de hoje. O ministro Cristiano Zanin é o próximo a manifestar seu voto. Em seguida, apresentam seus pareceres os ministros Cármen Lúcia e Flávio Dino (presidente do colegiado), nesta ordem.

 

Quem são os réus do núcleo 3?

Compõem o terceiro núcleo da trama golpista os seguintes nomes:

  • Bernardo Corrêa Netto: Coronel do Exército. Segundo a PGR, pressionou o comandante do Exército para apoiar o golpe; organizou encontros de militares das Forças Especiais e incentivou a divulgação de uma carta dirigida ao Comandante do Exército, com o objetivo de influenciar a Alta Cúpula a aceitar o decreto de ruptura democrática.
  • Estevam Theophilo: General da reserva. Segundo a PGR, estimulou Bolsonaro a assinar o decreto golpista e se comprometeu a coordenar a ação militar para consumar a ruptura, caso o ato fosse formalizado. Também atuou para pressionar o então comandante do Exército, visto como possível obstáculo ao golpe.
  • Fabrício Moreira de Bastos: Coronel do Exército. Teria participado das reuniões de kids pretos e ajudado a formular diretrizes estratégicas para a execução do golpe. Produziu o documento “Ideias Força”, que propunha ações para acelerar a adesão interna no Exército e disseminar operações de desinformação e mobilização.
  • Hélio Ferreira Lima: Tenente-coronel do Exército. Teria sido o autor da “Operação Luneta”, documento que detalhava fases do golpe: prisão de ministros do STF, gabinete de crise, controle das instituições e campanha de desinformação. Também participou do monitoramento do ministro Alexandre de Moraes.
  • Márcio Nunes de Resende Júnior: Coronel do Exército. Cedeu seu prédio reunião dos “kids pretos” e integrou a articulação para influenciar superiores. A PGR destaca que aderiu ao plano golpista mesmo sabendo da inexistência de fraude eleitoral.
  • Rafael Martins de Oliveira: Tenente-coronel do Exército. Teria sido coidealizador da operação “Copa 2022”, que pretendia sequestrar e matar Alexandre de Moraes. Fazia a gestão de recursos financeiros para a execução dos planos golpistas. Parte desse dinheiro, teria sido repassado a Mauro Cid pelo então candidato à vice-presidência Walter Braga Netto. 
  • Rodrigo Bezerra de Azevedo: Tenente-coronel do Exército. Segundo a PGR, também atuou na operação “Copa 2022” e participou diretamente do monitoramento de Alexandre de Moraes. Usou técnicas de anonimizarão e aparelhos clandestinos para ocultar a operação.
  • Ronald Ferreira de Araújo Júnior: Tenente-coronel. Teria assinado e divulgado carta de pressão ao então comandante do Exército, mas, segundo a PGR, não há prova de sua participação direta no núcleo golpista. A procuradoria reconsiderou a denúncia e pediu condenação de Ronald somente por incitação à animosidade entre Forças Armadas e instituições. 
  • Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros: Tenente-coronel. Segundo a PGR, atuou na difusão pública e digital da carta de pressão e buscou enfraquecer autoridades militares que resistiam ao golpe, apesar de saber que alegações de fraude eram falsas.
  • Wladimir Matos Soares: Agente da Polícia Federal. Teria fornecido informações estratégicas da segurança da posse presidencial ao grupo bolsonarista e auxiliaria na etapa de assassinato de autoridades para criação de caos social e justificativa de medidas de exceção.

(Publicado por Lucas Schroeder, com informações de Davi Vittorazzi e Gabriela Boechat)