Sul global terá protagonismo em restauração de florestas, diz Lula

Presidente discursou durante lançamento do Fundo de Florestas Tropicais para Sempre e defendeu que iniciativa será "um dos principais resultados concretos no espírito de implementação da COP30"

Manoela Carlucci, da CNN Brasil, São Paulo
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"Pela primeira vez na história os países do sul global terão um protagonismo em uma agenda de florestas", disse o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante o lançamento do Fundo de Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF), na Cúpula de Líderes que se iniciou nesta quinta-feira (06), em Belém.

A ideia do fundo -- que servirá como um financiamento aos países que se comprometerem com a preservação dessas florestas -- vem sendo defendida por Lula desde a COP28, realizada em Belém.

De acordo com ele, é "simbólico" que o lançamento dessa iniciativa seja realizado justamente em Belém, "rodada de sumaúmas, açaizeiros, andirobas e jacarandás".

"O Fundo de Florestas Tropicas será um dos principais resultados concretos no espírito de implementação da COP30", afirmou.

Em seu discurso, o mandatário justificou que a iniciativa se faz necessária pois "os fundos verdes e climáticos internacionais não estão à altura dos desafios que a mudança climática nos coloca".

"Foi com esse senso de urgência que, desde a COP28, reunimos um grupo de países de florestas tropicais e países investidores para desenhar esse mecanismo", continuou.

E reforçou: "o TFFF não é baseado em doação".

"Os recursos irão diretamente para os governos nacionais, que poderão garantir programas soberanos de longo prazo. Um quinto dos recursos poderá ser destinado aos povos indígenas e comunidades locais", justificou Lula.

A meta é que cada país possa receber até quatro dólares por hectare preservado, o que, de acordo com o presidente, "pode parecer modesto", mas na verdade "estamos falando de um bilhão e cem milhões de hectares de florestas tropicais em 73 países em desenvolvimento".

O fundo, citado pela primeira vez na COP28, em Dubai, poderá gerar cerca de US$ 4 bilhões por ano, quase três vezes o volume atual de financiamento internacional para florestas.