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    Tarcísio assume governo de São Paulo com o desafio de criar próprio grupo político

    Eleito na esteira de seu padrinho, Jair Bolsonaro (PL), ex-ministro tem como principal articulador político o presidente do PSD, Gilberto Kassab

    Tarcísio de Freitas
    Tarcísio de Freitas Divulgação

    Gustavo Queiroz e Pedro Venceslau, do Estadão Conteúdo

    O ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos) inicia neste domingo (1º) sua gestão no governo de São Paulo com o desafio de consolidar seu próprio grupo político. Eleito na esteira de seu padrinho, Jair Bolsonaro (PL), ele tem como principal articulador político o presidente do PSD, Gilberto Kassab.

    Sua posse, que ocorre nesta manhã no Palácio dos Bandeirantes, encerra 28 anos de comando tucano no Estado e ainda mantém em aberto a disputa por espaço no bolsonarismo após a derrota do presidente nas urnas.

    Como governador de São Paulo, Tarcísio poderia ganhar visibilidade para eventualmente se tornar candidato à Presidência em 2026 no campo da direita.

    No plano doméstico, precisará consolidar a maioria de que já dispõe na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) – cerca de 60 dos 94 deputados – e efetivar promessas que fez durante a campanha, algumas já revisadas nos últimos dois meses.

    Conciliar diversos grupos políticos com a proposta de um governo técnico foi o que norteou a formação do novo secretariado. São cinco nomes vinculados ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e outros cinco que compõem partidos da base de Bolsonaro.

    Dois deles são vistos como oriundos da área mais ideológica bolsonarista – o deputado federal Guilherme Derrite (PL), que vai comandar a Segurança Pública, e a vereadora Sonaira Fernandes (Republicanos), da nova Secretaria para Mulheres.

    Na outra ponta, o grupo de Kassab vai comandar quatro secretarias.

    Ele próprio será o novo secretário de Governo e Relações Institucionais, pasta reformulada por Tarcísio que dará poder ao ex-prefeito de negociar não somente com a Assembleia Legislativa, mas também com as prefeituras e o Palácio do Planalto.

    Outras quatro pastas serão assumidas por nomes que atuaram diretamente com Tarcísio no Ministério da Infraestrutura. Não foram dedicados espaços ao PSDB e ao União Brasil, partidos que o apoiaram no segundo turno das eleições.

    Nos corredores do gabinete de transição – uma sala reservada à equipe de Tarcísio no edifício Cidade I, no centro histórico de São Paulo -, pessoas próximas ao governador repetem diariamente que o secretariado é técnico e minimizam uma queda de braço entre grupos políticos.

    “Tarcísio sempre defendeu o legado do Bolsonaro, mas sem entrar no embate e no discurso ideológico. Havia uma expectativa unilateral dos aliados bolsonaristas de ocupar certos espaços. Essa expectativa talvez tenha frustrado quem fez uma leitura incorreta”, disse o vice-governador eleito, Felicio Ramuth (PSD).

    ‘Trincheira’

    Ao jornal O Estado de S. Paulo, Tarcísio afirmou que “as ideias do governo Bolsonaro vão permanecer”.

    “São Paulo passa a ser uma trincheira de contraponto ao governo do PT. Vamos à resistência mostrando resultados. Os radicais vão ver que as ideias do governo Bolsonaro vão permanecer. A linha pragmática agrada a todas as correntes do bolsonarismo”, disse.

    No começo de dezembro, Tarcísio declarou à CNN que nunca foi um “bolsonarista raiz” e que não vai entrar em uma “guerra ideológica” no comando do Estado nem provocar um “tensionamento entre Poderes”.

    Em cerimônia no Superior Tribunal de Justiça (STJ), trocou cumprimentos com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

    As situações repercutiram mal entre doadores de campanha vinculados ao agronegócio, o que fez o novo governador reforçar, pelas redes sociais, a “gratidão” que tem a Bolsonaro.

    A diversidade de seu grupo político ficou evidente no início do segundo turno da campanha, quando recebeu apoio “incondicional” de Rodrigo Garcia (PSDB), governador cujas políticas Tarcísio criticou no primeiro turno.

    Após eleito, prometeu “não promover reset” em São Paulo, mas excluiu o tucanato do secretariado.

    Nos últimos dois meses, recebeu aliados ferrenhos de Bolsonaro, como Eduardo Bolsonaro (PL), deputados estaduais que articulam a Mesa Diretora da Alesp e grupos vinculados à segurança pública.

    Agora, Tarcísio tem o desafio de imprimir a aceleração prometida em projetos de privatização e obras no Estado, marca de sua gestão no Ministério da Infraestrutura.

    Ele articulou com a Alesp a ampliação de créditos no orçamento paulista para a execução de promessas de campanha e chegou a criticar medidas tomadas nesta gestão que terão impacto nos investimentos, apesar de admitir que receberá um caixa cheio em 2023.

    Tarcísio também prepara para o primeiro semestre uma reforma administrativa para o Estado, além de colocar na lista de prioridades o projeto de capitalização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo e articular a redução do ICMS sobre alguns produtos.

    Ele pode ainda se beneficiar de uma herança inédita de obras não entregues pelos governos tucanos.

    Também deverá se dedicar às políticas para a segurança pública, tema recorrente em sua campanha. Tais caminhos se assemelham aos do ex-governador João Doria, eleito em 2018 com apoio de Kassab e na esteira do bolsonarismo.

    Como Doria, Tarcísio amenizou propostas que assumiu na campanha, quando defendeu a redução da maioridade penal, o fim da obrigatoriedade da vacinação para servidores públicos e das câmeras corporais dos PMs – projeto que agora será avaliado.

    As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.