
TCU busca apaziguamento e BC se mantém em silêncio sobre reunião
Presidente do tribunal de Contas, Vital do Rêgo, afirmou que ficou combinado o prosseguimento da inspeção pelo tribunal e, assim como relator do caso, Jhonatan de Jesus, tentou passar tom de clima amistoso

O TCU (Tribunal de Contas da União) buscou um apaziguamento perante o Banco Central em reunião com a autoridade monetária nesta segunda-feira (12) para tratar da inspeção do tribunal acerca da liquidação do Banco Master.
Ainda assim, até o momento, o Banco Central preferiu ficar em silêncio -- não confirmou nem que concordou com o prosseguimento da inspeção, anunciada pelo presidente do TCU, Vital do Rêgo, por exemplo. Também não comentou declarações do ministro.
Enquanto isso, embargos ainda estão previstos de serem analisados no plenário do tribunal na semana que vem, embora possam ser retirados até lá.
Após o encontro, Vital e o relator do caso no TCU, Jhonatan de Jesus, transmitiram a ideia de que houve um tom amistoso e de cooperação.
Vital ressaltou que os limites dos devidos sigilos bancários e criminais serão respeitados, como quer o BC, e estima que a auditoria do TCU seja concluída em um mês, com um grupo dedicado de técnicos na área. Portanto, a mensagem é de que o TCU não pretende se alongar na inspeção.
A reunião serviu como uma busca por uma saída sem que se imponha uma derrota política maior a Jhonatan de Jesus. As decisões tomadas por ele -- político originário do centrão e último ministro a entrar no tribunal -- colocaram o TCU como protagonista de uma crise como há muito tempo o órgão não se via imerso.
O encontro a portas fechadas nesta segunda aconteceu no Banco Central e durou apenas meia hora.
“Eu agradeço muito a forma como o Banco Central se portou, porque o BC quer o selo de qualidade do TCU, quer a segurança jurídica que o TCU pode dar. Esse não é um processo meramente administrativo, é um processo administrativo e criminal”, disse Vital do Rêgo em coletiva a jornalistas após a reunião.
O ministro foi questionado sobre o motivo da inspeção, já que ao mesmo tempo afirma que a auditoria não tem potencial de rever a liquidação do Master.
“Tem tantas outras responsabilidades que podem surgir neste processo. Nós já tivemos aí pela história, responsabilidades dadas até a diretores do Banco Central, e tal.. É um processo que... mas é um processo normal, eu não vejo nada de anormal numa fiscalização que o TCU faça”, afirmou.
Na semana passada, Jhonatan ameaçou a aplicação de uma medida cautelar contra o BC. Nesta segunda, Vital disse que a reunião afastou essa possibilidade.
Jhonatan não participou da entrevista. Em nota, afirmou que houve um alinhamento quanto “à competência do tribunal para fiscalizar atos do banco, respeitados o sigilo documental e a discricionariedade técnica da autoridade monetária.” Ainda, que a inspeção vai seguir trâmites regimentais normais.


