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    Todos gabinetes receberam demanda sobre PEC dos Benefícios, diz senador governista

    Marcos do Val (Podemos-ES) afirmou que medida, no começo, estava sendo utilizada "mais ou menos" como ativo para reeleição de Jair Bolsonaro (PL)

    Douglas Portoda CNN

    em São Paulo

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    O senador Marcos do Val (Podemos-ES) declarou, nesta quarta-feira (6), em entrevista à CNN, que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Benefícios foi recebida por todos os parlamentares em seus gabinetes, e que não deve ser utilizada politicamente.

    “A gente recebe realmente no gabinete uma demanda muito grande de algumas entidades, instituições que estão auxiliando as pessoas que estão passando fome. Foi uma demanda que todos os senadores receberam em seus gabinetes, apelações, casos realmente de você não conseguir nem deitar para dormir de tanta responsabilidade sabendo que tem pessoas passando fome”, afirmou Do Val.

    “Então, tanto que é que foi uma aprovação praticamente unânime, só um senador que votou contrário. Foi um entendimento de todos, tanto de quem apoia o governo e tanto quem é oposição. Estamos recebendo uma enxurrada de demanda de pessoas pedindo pelo amor de Deus para ter o que comer, e a gente não pode fazer isso de uma ferramenta de uso político em campanha”, continuou.

    Questionado pelo analista de política da CNN Gustavo Uribe se a PEC estava sendo utilizada como um ativo para a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), Do Val expôs que, no começo, estava “mais ou menos” para esse sentido.

    “A gente sabe que é uma forma de grande parte da sociedade se sentir compensada com o presidente. Na campanha anterior, até dizia que quando o atual presidente tomasse posse ele ia acabar com esses planos, com essas ajudas. Mas não tem como”, explicou.

    Nesta madrugada, a comissão especial na Câmara que analisa a PEC dos Benefícios adiou a votação do texto, após um intenso confronto entre parlamentares.

    A medida prevê o reconhecimento do estado de emergência em 2022 e um pacote de R$ 41,25 bilhões em auxílios fora do teto de gastos a três meses das eleições.

    O texto cria um auxílio de R$ 1 mil a caminhoneiros e um auxílio ainda sem valor definido a taxistas, além de ampliar o Auxílio Brasil para, ao menos, R$ 600 mensais e o vale-gás para cerca de R$ 120 a cada dois meses, entre outros pontos. Essas medidas seriam válidas até 31 de dezembro deste ano.

    Tribunal de Contas da União (TCU) abriu, na última terça-feira (5), um processo para analisar um pedido feito pelo Ministério Público para investigar a PEC dos Benefícios.

    A solicitação do Ministério Público foi feita, na segunda-feira (4), junto ao tribunal para “conhecer, avaliar e impedir o governo federal, no que diz respeito a recentes medidas destinadas a flexibilizar o teto de gastos, de comprometer o equilíbrio fiscal das contas públicas”.

    A descrição do processo no sistema do TCU também aponta que a apuração tem o objetivo de que, “dada a iminência de aprovação da PEC, o governo realize estudes e divulgue quantas pessoas/famílias receberão os benefícios criados/ampliados”.

    “Com categorização [dos beneficiados] por município, gênero, faixa de idade e grau de escolaridade, de modo que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possa examinar com precisão se houve abuso do poder político/econômico nas eleições de outubro que se aproximam”, acrescenta o processo.

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