Toffoli defende que magistrados possam ter fazenda ou ser sócio de empresa

Afirmação foi feita durante julgamento de duas ações que contestam uma resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que fixou regras para o uso de redes sociais por membros do Poder Judiciário

Leonardo Ribbeiro, da CNN Brasil, Brasília
José Antonio Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)  • Nelson Jr./SCO/STF
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O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), defendeu nesta quarta-feira (4), que os magistrados brasileiros possam ter fazendas e ser sócios de empresas, desde que não exerçam a administração.

“Se ele tem um pai ou mãe acionista de uma empresa, dono de uma empresa ou de fazenda? Vários magistrados são fazendeiros, são donos de empresas, e eles, não excedendo a administração, têm todo o direito aos seus dividendos”, afirmou.

A declaração foi dada num aparte ao ministro Alexandre de Moraes, que comentava existir “má-fé” nas críticas que acusam a Corte de permitir que ministros julguem processos com participação de parentes como advogados.

Segundo Moraes, há vedações claras que barram esse tipo de conduta e ministros estão impedidos de analisar casos nos quais tenham qualquer vínculo pessoal ou familiar com partes, ou defensores.

“O magistrado não pode ter ligação com o processo que julga. E todos os magistrados, inclusive os desta Suprema Corte, não julga nunca nenhum caso em que se tem ligação”, disse.

As falas de Toffoli e de Moraes ocorrem no contexto do escândalo envolvendo o Banco Master.

A esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, é advogada do banco. E Toffoli vem sendo alvo de questionamentos e críticas pelo fato de seus irmãos terem sido sócios de um resort que teve entre os acionistas o cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiao Zetterl, que chegou a ser preso pela PF.

Nesta quarta-feira, o STF iniciou o julgamento de duas ações que contestam uma resolução do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que fixou regras para o uso de redes sociais por membros do Poder Judiciário.

Os casos reacenderam o debate sobre a criação de um código de conduta específico para ministros do STF. A ministra Cármen Lúcia será relatora e busca apoio dos colegas para a aprovação do texto.