Análise: Cármen Lúcia é respeitada, mas falha na articulação

Segundo análise de Matheus Teixeira ao Bastidores CNN, a ministra é respeitada entre seus pares, mas enfrenta desafios na articulação de bastidores para aprovação do código

Da CNN Brasil
Compartilhar matéria

A ministra Cármen Lúcia deve consultar atuais e antigos ministros do Supremo Tribunal Federal para a formulação do Código de Ética para a Suprema Corte. Segundo análise de Matheus Teixeira, ao Bastidores CNN, embora Cármen seja uma figura respeitada no tribunal, ela enfrenta dificuldades na articulação política nos bastidores.

"Edson Fachin e Cármen Lúcia estão preferindo ver o copo meio cheio", apontou Teixeira: "Ou seja, eles conseguiram pautar esse debate, se vão conseguir vencer ou aprovar resolução é outro tema. Mas, o que eles preferiram foi jogar para o público em favor do Código de Ética".

A estratégia de Cármen Lúcia e do ministro Edson Fachin para avançar com o Código de Ética no STF tem sido surpreender seus pares. Ambos optaram por pautar o debate publicamente em vez de buscar consensos internos, numa tentativa de mobilizar a opinião pública a favor da iniciativa. Isso ocorre porque há uma resistência significativa de alguns ministros, como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e José Dias Toffoli, que poderiam deixar o tema engavetado caso dependesse apenas de articulações internas.

Estratégia de pressão pública

Teixeira explica que Cármen e Fachin estão adotando uma abordagem incomum: "Eles preferiram jogar para o público, pedir ajuda da torcida, da sociedade, da população". O ministro Fachin chegou a fazer um "discurso duríssimo" na abertura do ano judiciário, nomeando Cármen Lúcia como relatora e pegando todos de surpresa.

Além disso, "Cármen Lúcia pegou de surpresa os outros seis ministros da corte, chegou ontem, no primeiro dia de trabalho do TSE, e anunciou a criação de um código de ética para juízes eleitorais", relatou o analista.

Teixeira destaca que os ministros que se opõem à medida são "muito articulados e são próximos de outros ministros", além de frequentemente serem ouvidos no processo de escolha de novos integrantes do Supremo. Em contraste, Cármen Lúcia e Fachin "não têm o mesmo perfil de ser mais habilidosos nos bastidores de conseguir construir esses consensos", o que explica a estratégia de levar o debate diretamente à sociedade.

A iniciativa no TSE tem peculiaridades próprias, uma vez que a justiça eleitoral inclui membros da advocacia que cumprem mandatos e não são juízes vitalícios. Segundo Cármen Lúcia, isso exige cuidados específicos, já que esses juízes mantêm seus escritórios de advocacia abertos para casos não relacionados a matérias eleitorais, diferentemente dos demais magistrados.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.