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    Após denunciar atuação como “agente infiltrado” da Lava Jato, Tony Garcia tem processos suspensos pelo STF

    Ex-deputado afirmou em entrevista à CNN que recebia ordens de Sergio Moro para atuar contra o governo do PT: “Me fizeram de funcionário”

    Da CNN*

    O ministro Dias Toffoli suspendeu todos os processos do ex-deputado estadual Tony Garcia na 13ª Vara Federal de Curitiba e no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e solicitou cópias integrais de todas as ações que ele esteja como parte, testemunha ou investigado para o Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são da âncora da CNN Daniela Lima.

    A decisão acontece após o ex-parlamentar acusar o ex-juiz Sergio Moro, atual senador pelo União Brasil do Paraná, de tê-lo usado como um “agente infiltrado” para perseguir o Partido dos Trabalhadores (PT). Essa e outras denúncias, reproduzidas na CNN no último domingo (4), já haviam sido feitas à ex-juíza da 13ª Vara Gabriela Hardt, segundo Garcia.

    Garcia, que se diz perseguido pelo Ministério Público Federal (MPF), viu o seu acordo de colaboração premiada ser rescindido por Gabriela Hardt em outubro de 2022. O caso voltou a ter nova movimentação somente em abril deste ano, quando o juiz Eduardo Appio assumiu a 13ª Vara Federal de Curitiba e submeteu as denúncias do parlamentar ao STF.

    De acordo com documento sigiloso ao qual a CNN teve acesso, além da suspensão, há a determinação de que não “seja proferida nenhuma decisão nos referidos autos, nem mesmo as de caráter urgente”.

    Garcia foi um dos delatores da Lava Jato e afirma que o ex-juiz Sergio Moro interferiu para afastar o juiz federal Eduardo Appio da operação. Em entrevista à CNN no domingo (4), Garcia disse acreditar que essa interferência aconteceu porque Appio levaria adiante as denúncias que ele fez à responsável anterior pela operação, Gabriela Hardt.

    Segundo o ex-deputado, essas denúncias consistiam no fato de que ele teria ficado por anos trabalhando para a Lava Jato para obter informações de interesse da operação.

    “Eles me amarraram nesse acordo durante dez anos. Eles ficaram me usando para obter informações, usaram informações para perseguir o PT, eles usaram da minha amizade com o [o ex-presidente da Câmara] Eduardo Cunha para eu colher informações de operadores do PT, operadores da Petrobras, operadores do [ex-ministro] Zé Dirceu, de tudo, eles queriam pegar tudo”, afirmou.

    Garcia afirma que fez a denúncia para a juíza Gabriela Hardt em 2021 após solicitar uma audiência com a magistrada.

    “Eu falei que eu era agente infiltrado, que eu recebia as ordens diretas do Moro, que ele pedia para eu ir sem advogado. Eu fui 40 vezes ao MPF, fiquei trabalhando para eles, me fizeram de funcionário”, contou o ex-deputado. “Ela [Hardt] passou por cima de tudo”.

    Ainda de acordo com Garcia, quando assumiu a Operação Lava Jato, Appio teria submetido essas informações ao STF. “Aí, o Moro entrou em cena logo para abafar isso daí, para tirar o Appio. Porque ele achava que o doutor Appio era a pessoa que ia dar continuidade, ia tirar esse esqueleto do armário”, afirma.

    “E realmente tirou, ele tirou o meu esqueleto porque se eles achavam que iam me intimidar quebrando o meu acordo que ele mesmo [Moro] disse que é transitado e julgado. Eles não me intimidaram, pelo contrário, eles me deram força de vir a público agora e denunciar o que estão fazendo”, concluiu Garcia.

    A CNN entrou em contato com todos os citados por Tony Garcia. Por meio de nota, Sergio Moro afirmou que o relato do ex-deputado é mentiroso e dissociado de qualquer amparo na realidade ou em qualquer prova.

    O juiz Eduardo Appio disse que não vai se manifestar.

    Hardt se declara suspeita para julgar Tony Garcia

    Em despacho proferido no final da tarde de segunda-feira (5), a juíza Gabriela Hardt declarou-se suspeita para julgar Tony Garcia.

    A magistrada informou que protocolou uma representação criminal contra Garcia no Ministério Público Federal por entender que ele tenha cometido um crime contra sua honra. Portanto, ela declarou sua suspeição por motivo de “foro íntimo”.

    *Publicado por Douglas Porto, com informações de Marcos Guedes