União e PP orientam parlamentares a não registrar presença em plenário

Federação composta pelos dois partidos considera “legítimo” o movimento de obstrução feito pela oposição

Leonardo Ribbeiro, da CNN, Brasília
Compartilhar matéria

A Federação União Progressista orientou seus parlamentares a não registrar presença em Plenário nesta quarta-feira (6). A orientação vale para a Câmara e para o Senado.

Em nota, assinada pelo presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e pelo presidente do PP, Ciro Nogueira, o grupo classifica como “legítimo o movimento de obstrução feito pela oposição”.

“Continuamos defendendo o diálogo como único caminho possível para encontrarmos soluções que devolvam a normalidade dos trabalhos no Congresso Nacional. O Brasil precisa virar essa página e voltar a focar em pautas que resolvam os problemas econômicos, sociais e de insegurança no nosso País”, diz o documento.

Os partidos que compõem a federação têm quatro ministérios no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Lideranças da oposição no Congresso Nacional anunciaram na terça-feira (5) que irão obstruir os trabalhos legislativos em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que a oposição está se preparando para a "guerra". Segundo ele, os parlamentares estarão "entrincheirados com uma série de ações" para pressionar as Casas legislativas em prol da anistia dos condenados do 8 de janeiro e do processo de impeachment de Moraes.

"A partir de agora estamos nos adestrando e nos apresentando para a guerra. Se é guerra que o governo quer, guerra que o governo terá. Não haverá paz no Brasil enquanto não houver discurso de conciliação que passe pela anistia, pela mudança do fim do foro e impeachment de Moraes", disse em entrevista coletiva.

As medidas fazem parte do chamado "pacote da paz", anunciado por integrantes da oposição. Na lista de prioridades, também consta a PEC (proposta de emenda à Constituição) que acaba com o foro privilegiado de parlamentares.

Os parlamentares também cobraram diálogo e uma reação dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).