Vieira critica "papel secundário" da ONU sobre conflitos no Oriente Médio

Ministro das Relações Exteriores afirma que disputas militares devem ser tratadas no âmbito da Organização das Nações Unidas

Emilly Behnke, da CNN Brasil, Brasília
Compartilhar matéria

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira (18) que a ONU (Organização das Nações Unidas) tem desempenhado "papel secundário" em relação ao conflito envolvendo o Irã. Em reunião da Comissão de Relações Exteriores do Senado, ele declarou que iniciativas bilaterais para a resolução do conflito têm tido mais destaque.

"É preciso que essas disputas militares sejam tratadas em seu foro adequado, que é a Organização das Nações Unidas. No entanto, a paralisia da ONU e do seu Conselho de Segurança torna-se ainda mais evidente no atual contexto de conflito no Irã. As Nações Unidas têm desempenhado um papel secundário nas tratativas relativas à crise", afirmou.

Segundo o ministro, embora o Conselho de Segurança das Nações Unidas tenha realizado uma reunião de emergência no dia 28 de fevereiro, não há até o momento indicação de que outras "medidas concretas" estejam sendo desenvolvidas no âmbito da ONU. "Observamos movimentações voltadas à resolução do conflito no plano bilateral", acrescentou.

O conflito no Oriente Médio está na terceira semana de desdobramentos. As ofensivas dos Estados Unidos e de Israel motivaram retaliação do Irã a várias nações na região.

Inicialmente, o Brasil condenou a ação militar norte-americana e israelense – posição que foi criticada por parlamentares da oposição. No mesmo dia, o governo brasileiro também criticou a resposta iraniana ao repudiar medidas que violem a "soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis”.

Vieira reforçou esse posicionamento na audiência e reafirmou a defesa da resolução do conflito por meio do diálogo e negociações diplomáticas.

Nesta quarta, Vieira ainda deve participar de reunião da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, onde também deve ser questionado sobre o posicionamento do Brasil em relação ao conflito no Irã.