Violência no Brasil não é “fantasma”, diz Edson Fachin

"A desinformação também tem forma, nome e origem, não é fantasma", afirmou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

Kaio Telesda CNN*Renata Souzada CNN

em Brasília e São Paulo

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Em declaração durante o 24º Congresso Brasileiro de Magistrados, nesta sexta-feira (13) em Salvador (BA), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Fachin, afirmou que a desinformação e a violência no Brasil não são “um fantasma”, mas, sim, um “ato evidente”.

No dia anterior, durante transmissão nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro (PL) fez críticas a Fachin. “Eu não sei de onde ele [Edson Fachin] está tirando esse fantasma de que as Forças Armadas querem interferir na Justiça Eleitoral”, disse. Mais cedo, Fachin havia declarado que quem deve cuidar de eleições são as “forças desarmadas”.

Fachin criticou “a violência contra a imprensa e seus imprescindíveis profissionais, as ameaças à integridade física de magistrados e de seus familiares e os ataques das milícias digitais geradoras de insegurança cibernética” e classificou isso como “bestialidade moral e simbólica dos discursos de ódio”. “A desinformação também tem forma, nome e origem. Não é fantasma.”

“Não é fantasma, não é assombração. A violência no Brasil é assombrosa, é trágica, é terrível. É uma realidade pavorosa na ordem do dia”, declarou. Segundo o ministro, “assistimos, quase incrédulos, a normalização dos ataques às instituições, impulsionados por práticas de desinformação”.

O presidente do TSE também defendeu a confiabilidade das urnas eletrônicas e a importância do voto no exercício da cidadania.

“O que nos move não é apenas o agora, não é apenas o presente contínuo, não é apenas o futuro imediato, mas é o futuro mediato, é o dia seguinte das eleições, é o respeito com paz, com ordem e com serenidade à soberania popular que será exercida pelo sufrágio universal”, afirmou Fachin.

O ministro relembrou os 26 anos das urnas eletrônicas no Brasil, completados nesta sexta-feira. “Desde 1996, a urna eletrônica garante o direito ao voto com segurança, com transparência e auditabilidade”, declarou.

Fachin elogiou a atuação dos presidentes do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL), no que se refere à defesa do processo eleitoral.

Os poderes Legislativo e Judiciário estão em harmonia com a constituição e defendem o respeitar às urnas. E é necessário que todos poderes digam, sem subterfúgios, que vão respeitar os resultados das urnas das eleições de 2022.

Edson Fachin, presidente do TSE

Forças Armadas

Na live desta semana, o presidente Bolsonaro declarou que “as Forças Armadas não estão se metendo nas eleições”, em resposta a uma suposta fala de Fachin.

No dia anterior, sem citar diretamente as Forças Armadas, Fachin havia dito que “nada e ninguém vai interferir na Justiça Eleitoral”.

“Contamos com o valoroso auxílio logístico que as forças armadas têm prestado na chamada logística material de realização das eleições. Tudo isso se dá porque o Brasil tem e terá eleições íntegras”, disse hoje o presidente do TSE.

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