Volta de Lula da Ásia aumenta expectativa para indicação de nome ao STF

Cadeira no Supremo está vaga desde 18 de outubro, com aposentadoria de Barroso

Davi Vittorazzi, da CNN Brasil, Brasília
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve retornar da viagem feita na Ásia na terça-feira (28) e crescem as expectativas sobre a indicação do nome para a vaga de ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

Antes de Lula embarcar, já havia especulações de que o presidente pudesse anunciar o nome do escolhido — situação que não ocorreu. O favorito para a vaga é o advogado-geral da União, ministro Jorge Messias.

A cadeira no Supremo está vaga desde o dia 18 de outubro, quando foi oficializada a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.

Após a indicação do presidente da República, o nome escolhido passará por análise na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado e precisará ser aprovado pelo plenário da Casa Legislativa, com a maioria absoluta dos votos (41 dos 81 senadores).

Candidatos ao Supremo

Jorge Messias tem evitado dar declarações públicas ao comentar sobre a possível indicação.

Segundo apurou a CNN Brasil, Messias tem ficado mais discreto para não parecer que está em campanha à Corte.

Na última quarta-feira (22), em participação de um congresso no IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa), Jorge Messias elogiou as posições do STF e citou que o Judiciário deve respeitar as políticas públicas definidas pelo Executivo e pelo Congresso Nacional.

"Ao longo das últimas décadas, o STF tem demonstrado um notável aprimoramento do seu papel no controle difuso de funcionalidade, aproximando crescentemente do controle concentrado", disse.

Messias também defendeu a autonomia e separação dos Poderes.

"É preciso respeitar os espaços do Legislativo e do Executivo nas formulações e execuções de políticas públicas. Me refiro às metas, planos e programas impostos pelo Judiciário, que, na minha opinião, devem ser traçadas a partir das balizas desenhadas pelos outros poderes, e não pela originalidade da democracia judicial", citou.

O mais próximo do favoritismo de Messias é o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Ele também tem um perfil mais preferido por ministros do Supremo.

Ao contrário do advogado-geral da União, Pacheco tem falado abertamente sobre a possibilidade de indicação.

Segundo o parlamentar, ele vai respeitar a decisão que for tomada pelo presidente e que caberá ao Senado fazer a avaliação do nome indicado.

“É muito importante que todas essas etapas sejam cumpridas com espírito público, com republicanismo, de modo que não há que se precipitar nenhuma especulação em relação a isso”, afirmou na última quinta-feira (23).

Antes, Pacheco também havia afirmado ter se sentido "honrado" e "contente" por ser cotado para uma cadeira no STF.

Como já mostrou a CNN Brasil, o presidente Lula tem levado, em média, 23 dias para indicar um novo nome ao STF após a aposentadoria de um ministro neste terceiro mandato.

As duas últimas indicações do chefe do Executivo foram Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Zanin foi escolhido em julho de 2023 e foi indicado 57 dias após a saída de Ricardo Lewandowski.

Enquanto Dino, que substituiu Rosa Weber em novembro de 2023, teve sua indicação anunciada 60 dias depois da aposentadoria da ministra.