Vorcaro: Will Bank seria vendido no mesmo dia da liquidação do Master

Empresário disse que negociação foi interrompida após a deflagração da operação Compliance Zero

Leticia Martins e Renata Souza, da CNN Brasil, São Paulo
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Em depoimento no STF (Supremo Tribunal Federal), o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, declarou que a venda do Will Bank já estava acertada e seria concluída no mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação do Master, em 18 de novembro de 2025. De acordo com ele, o comprador seria o fundo Mubadala Capital, de Abu Dhabi.

"Nessa semana específica [da operação] estava concluído. Faltava assinaturas. A primeira assinatura aconteceu na segunda-feira, que foi a da Fictor. No dia seguinte, iria acontecer a venda do Will Bank para o fundo Mubadala. Que é um fundo internacionalmente conhecido. A gente estava com o contrato pronto. Seria assinado no dia 18 pela manhã", disse Vorcaro em acareação que ocorreu no dia 30 de dezembro.

Segundo Vorcaro, na semana em que foi deflagrada a operação Compliance Zero, as tratativas já estavam fechadas e faltava apenas a formalização dos contratos. Ele sustenta que a conclusão do negócio foi impedida pela atuação da polícia e do Banco Central.

"E nos outros três próximos dias a gente ia assinar a venda do banco de investimento e a entrada dos investidores estrangeiros junto com a Fictor na compra do banco. Ou seja, era um desfecho de final feliz para o sistema financeiro, não era só para mim, que foi infelizmente interrompido pela operação", expôs o empresário.

O Will Bank foi liquidado extrajudicialmente no dia 21 de janeiro, após a interrupção das negociações mencionadas por Vorcaro. A instituição possuia 12 milhões de clientes, que envolvem cartões de crédito, empréstimos e investimentos, tendo movimentado cerca de R$ 7,5 bilhões no último ano.

Queda de sigilo

Na noite de quinta-feira (29), o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), retirou o sigilo dos depoimentos do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) e Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central.

Além da questão do Will Bank, Vorcaro afirmou não concordar com a acusação de que os créditos emitidos pela empresa Tirreno eram falsos e disse não ter conhecimento sobre as operações da companhia.