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    Waack: A Cúpula do Clima na terra do petróleo

    Se hoje em Abu Dhabi se fala que é essencial rumar dos fósseis para os renováveis, fala-se também que não se pode abandonar a segurança energética -- ou seja, os fósseis

    William Waack

    Começa em poucas horas em Abu Dhabi a Cúpula do Clima (COP28). A conferência significa o esforço coletivo para combater o aquecimento global e suas consequências, e o esforço coletivo tem como alvo principal a transição energética.

    Mas como é que fica quando o esforço para sair dos combustíveis fósseis, petróleo e gás, acontece justamente em Abu Dhabi? É a capital dos Emirados Árabes Unidos, o oitavo maior produtor de petróleo do mundo e que acaba de investir mais US$ 50 bilhões para expandir a petroleira deles.

    A Agência Internacional de Energia (IEA) diz que não se pode iniciar mais nenhum projeto novo de petróleo no mundo se for para chegar aos objetivos de combate ao aquecimento global acertados há oito anos em Paris.

    Guerras, pandemia e geopolítica mexeram bastante com o cenário de transição de energia. Se hoje em Abu Dhabi se fala que é essencial rumar dos fósseis para os renováveis, fala-se também que não se pode abandonar a segurança energética — ou seja, os fósseis.

    Isso tudo fica ainda mais complicado quando se considera que boa parte do que se precisa acontecer está em países emergentes, que não recebem investimentos nem financiamento na quantidade considerada necessária.

    Como dono de matriz energética limpa e de enorme pedaço da floresta amazônica, o Brasil tem papel central nessa cúpula do clima. O difícil vai ser navegar o tipo de turbulência geopolítica que faz do combate às mudanças climáticas um objetivo reconhecido por todos. E bastante distante também.