William Waack

Waack: Congresso segue forte depois de acordo entre os Poderes

Talvez alguém no Executivo acredite que uma liminar vinda do Judiciário mude a história; isso é uma perigosa ilusão

William Waack
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Na ordem do dia, PL 1.847/2024 que "estabelece um regime de transição para a contribuição substitutiva prevista pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, e para o adicional sobre a Cofins-Importação previsto pelo § 21 do art. 8º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004". A Presidência realiza um minuto de silêncio em virtude do falecimento do apresentador de televisão e empresário brasileiro, Silvio Santos. Mesa: líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP); presidente do Senado Federal, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG); secretário-geral da Mesa do Senado Federal, Gustavo A. Sabóia Vieira. Foto: Pedro França/Agência Senado
  • 20/08/2024 - Pedro França/Agência Senado
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Uma conversa entre representantes dos poderes Judiciário, Legislativo e Executivo em Brasília, seguida de um bom almoço, tentou mexer com 25 anos de história da política brasileira. Claro que não conseguiu.

O papo girou em torno das emendas impositivas dos parlamentares, mas o verdadeiro assunto era como o Congresso foi aumentando seus poderes e enfraquecendo os do presidente da República.

Simplificando bastante, nos últimos 25 anos, os parlamentares reduziram muito sua dependência do governo e aumentaram consideravelmente a dependência do governo em relação ao Congresso.

Na conversa de hoje, seguida do almoço, ficou combinado que uma parte importante das emendas impositivas deverá ter um mínimo de transparência, o que é, sem dúvida, uma boa notícia para o contribuinte. Também foi acordado dar uma freada no aumento do volume das emendas, atrelando-as ao crescimento da receita líquida.

Além disso, Executivo e Legislativo terão que se entender sobre os critérios para a aplicação do dinheiro dessas emendas. Isso significa que o jogo virou a partir da liminar de um ministro recente de Lula, agora no Supremo, suspendendo a execução das emendas? Que o Executivo recuperou seu antigo poder de alocar recursos via orçamento público?

Longe, muito longe disso. As emendas continuam impositivas. As emendas individuais permanecem em vigor, e elas são essenciais para os parlamentares. O volume geral desses recursos continua mais ou menos o mesmo.

Esse curioso sistema de semipresidencialismo no qual o Brasil vive não nasceu da noite para o dia. Talvez alguém no Executivo acredite que uma liminar vinda do Judiciário mude a história. Isso é uma perigosa ilusão.