Waack: Pressão de elites parece ter desempenhado papel-chave na saída de Salles

Demissão do ministro do Meio Ambiente tem semelhanças com a forma que elites econômicas pressionaram – e conseguiram – tirar Ernesto Araújo do Itamaraty

Da CNN, em São Paulo

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No quadro CNN Poder desta quinta-feira (24), na CNN Rádio, William Waack analisa o pedido de demissão de Ricardo Salles do Ministério do Meio Ambiente e diz que há uma questão ainda não esclarecida sobre o episódio.

“Afinal de contas, se desfrutou de tanto apoio público, como dirigido a ele pelo próprio presidente da República, e era uma espécie de herói, sobretudo para um setor mais atrasado do agronegócio, qual o motivo, então, a demissão?”, questionou.

Waack disse que, de fato, o primeiro fator que parece ter contribuído para a saída do ministro é a investigação da Polícia Federal (PF) contra ele por supostos crimes ambientais.

“Mas há um outro componente ao qual quero dar mais reforço. Como vimos nas relações exteriores brasileiras (…) elites econômicas souberam se juntar e conseguiram a demissão [de Ernesto Araújo]. Mudou-se a política externa, parou-se de falar tanto em riscos”, disse o jornalista.

Para ele, parece ser o mesmo caso, agora, na saída de Salles: a política do governo Bolsonaro estava – e está – provocando tremendos prejuízos “não só a setores que dependem do meio ambiente, mas ao próprio país”.

“De novo, elites dirigentes de vários setores econômicos fizeram uma enorme pressão e acabaram se organizando. Fica uma lição para as elites: quando elas sabem o que querem e se organizam, conseguem atingir seus objetivos.”

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