Waack: Pressão dos EUA mira ponto fraco de Lula nas urnas

O governo americano está empenhado em favorecer grupos políticos com os quais tem proximidade, como a corrente dirigida pela família Bolsonaro

William Waack
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O governo americano decidiu classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.

Isso cria um enorme constrangimento para o governo brasileiro, que vem se opondo a esse tipo de classificação, e às vésperas de uma eleição na qual o governo Lula tem como principal vulnerabilidade, o que é percebido pelo público como incapacidade de combater o crime organizado.

Do ponto de vista dos efeitos práticos no enfrentamento de PCC e CV, há grande discórdia entre especialistas sobre a classificação desses grupos como terroristas.

Há dúvidas mesmo dentro das Forças Armadas Brasileiras, para as quais é considerada essencial a cooperação com Forças Militares Americanas, de preferência sem a politização.

Mas é exatamente a politização o ponto central do momento.

Em princípio o governo americano dispõe agora, em relação ao governo brasileiro, de um formidável arsenal legal para:

  • Excluir do sistema do dólar instituições financeiras brasileiras que tenham vínculos com organizações declaradas como terroristas;
  • Sancionar empresas brasileiras ou multinacionais que operam no Brasil que paguem a intermediários ligados as facções;
  • Barrar a entrada nos Estados Unidos de pessoas com qualquer tipo de ligação a esses grupos.

Mas é política a questão central. Em duas esferas.

A nova doutrina de segurança nacional americana exige dos países desta área alinhamento total com o que os Estados Unidos considerem questões de seu interesse, especialmente na área do crime transnacional.

O governo americano está empenhado em favorecer grupos políticos com os quais tem proximidade, como a corrente dirigida pela família Bolsonaro.

Nesse sentido, é um instrumento do governo americano de coerção diplomática e, eventualmente até militar, e de ajuda política a Flávio Bolsonaro antes das eleições.