Waack: Regras para eleição de 2022 estão sendo definidas agora

É preciso ficar atento à fragmentação partidária e nas mudanças na cláusula de barreira e na Lei da Ficha Limpa; STF também deve ter papel decisivo na votação

Da CNN, em São Paulo

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No quadro CNN Poder desta sexta-feira (25), na CNN Rádio, William Waack analisa recentes decisões no Legislativo e no Judiciário que, na prática, estão delineando as regras para a disputa das eleições em 2022.

“Pode parecer um pouco cedo para falar das eleições de 2022, mas elas estão ganhando uma cara feia – e se nós, cidadãos e eleitores, não nos importamos com o que está acontecendo, não poderemos reclamar depois”, afirmou Waack.

Ele destacou, por exemplo, o grande número de partidos políticos habilitados no país, o que aumenta a fragmentação e propicia o que ele chamou de “proliferação de ‘partidecos’ de aluguel”, o que afeta qualquer tipo de regime político, seja parlamentarista, semi-presidencialista ou presidencialista de coalizão.

“O que está sendo gestado, agora, em termos de reforma político-eleitoral lá em Brasília, particularmente, na Câmara dos Deputados? O fracionamento vai continuar e a cláusula de barreira/desemprenho – que obriga os partidos a terem um mínimo de mérito para colocar a mão no dinheiro do contribuinte – está sendo furada”, disse Waack.

Ele destacou ainda outro aspecto que está sendo, em partes, contornado e que considera prejudicial para a votação: a Lei da Ficha Limpa.

“Por exemplo: se o sujeito foi condenado ‘apenas’ a pagar multa, vai poder disputar eleição. Isso é uma desmoralização desse instrumento importante”, opinou.

Waack falou, ainda, sobre o papel de decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) que podem afetar, particularmente, a disputa presidencial no próximo ano.

“O STF está tirando de Bolsonaro a narrativa da fraude na eleição, cobrando que ele apresente a fraude. E cadê as provas? E o próprio STF deixou o Lula tranquilíssimo daqui até as próximas eleições: como Moro foi declarado suspeito em todos os processos, Lula vai disputar as eleições podendo dizer de boca cheia que é inocente e vítima.”

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