Witzel diz que operação da PF da qual foi alvo teve base em ‘suposições’

Em entrevista para a CNN, o governador do Rio de Janeiro diz que nunca teve contato com Mário Peixoto

Da CNN, em São Paulo

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O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), disse à CNN nesta terça-feira (26) que os elementos usados pela Justiça para a operação Placebo, deflagrada mais cedo, não são contemporâneos à investigação e têm como base “suposições”. A operação teve como foco a investigação de desvios de dinheiro em contratos da área da saúde para a compra de materiais para combate a Covid-19.

A decisão do ministro Benedito Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que serviu para embasar a operação, fala em “indícios de participação ativa do governador do Rio quanto ao conhecimento e ao comando das contratações realizadas com as empresas hora investigadas, mesmo sem ter assinado diretamente os documentos”.

Segundo Witzel, “a decisão cautelar leva em consideração alguns elementos que não são contemporâneos aos fatos que amparam as decisões”. O governador se disse assustado ao ver “que os fatos levantados pelo ministro Benedito são todos baseados em suposições.”

Witzel afirma que nunca teve nenhum contato com a empresa Unir Saúde e que nunca participou de nenhuma tratativa do Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas), empresa responsável pelos hospitais de campanha para atender pacientes com Covid-19 no Rio.

“A decisão faz uma ilação da minha participação nisso, mas já coloquei tudo à disposição da Justiça, abri mão do meu sigilo e não vão encontrar nada”, disse o governador. “Quero que o poder Judiciário esteja atento às manipulações do Ministério Público.”

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Mário Peixoto

Witzel afirmou que “jamais conversou” com o empresário Mário Peixoto, apontado por investigadores como envolvido em irregularidades em contratos com o governo fluminense.

“Hoje ele declarou que não tem nenhuma relação comigo, nem pessoal nem comercial”, disse o governador.

Questionado sobre se já prestou serviços para o escritório de advocacia de Mário Peixoto, Witzel disse que o advogado do empresário foi seu aluno, e que nunca prestou serviços relacionados a ele.

Família Bolsonaro

Após a operação, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) postou vídeo dizendo que “uma tsunami iria atingir o governo do Rio de Janeiro”, ao que Witzel respondeu dizendo estar “tranquilo”.

“Não tem problema se tiver mais investigação. Caso sejam confirmadas irregularidades, nós vamos afastar o secretário e fazer a investigação. Não houve nenhum tipo de corrupção ano passado e, até agora, a corrupção da saúde não foi provada.”

Witzel afirmou que Flávio Bolsonaro quer vê-lo “longe daqui”, e mencionou a investigação de lavagem de dinheiro envolvendo o senador em curso no Rio de Janeiro.

“O inquérito de lavagem de dinheiro de Flávio Bolsonaro no Rio foi reaberto. Ele entrou com nove habeas corpus para impedir isso. Porque ele não faz como eu e libera os documentos e computadores?”, disse.

 

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