Zambelli nega ter citado vaga no STF para Moro aceitar Ramagem na PF

Deputada federal diz que tentou "abafar conflito" entre Bolsonaro e Moro e se disse decepcionada com o ex-ministro.

Deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) dá sua versão sobre conversas com Moro
Deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) dá sua versão sobre conversas com Moro Foto: Reprodução/Facebook

Anna Gabriela Costa, da CNN em São Paulo

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A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) negou nesta sexta-feira (24) ter oferecido a Sergio Moro, ex-ministro da Justiça, uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) em troca de o ex-juiz aceitar a nomeação de Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal.

Zambelli foi citada em reportagem no Jornal Nacional, da TV Globo, que divulgou conversas entre ela e Moro. Na conversa, a deputada pede que o então ministro “aceite” a substituição de Maurício Valeixo por Ramagem — medida que acabou sendo o estopim da saída de Moro. Segundo a TV Globo, as mensagens foram divulgadas pelo próprio Moro.

Na conversa, a deputada também se oferece para convencer Bolsonaro a indicar Moro para a Corte, ao que o ex-ministro responde que “não está à venda”. Zambelli diz que brasileiros lamentariam a sua demissão e o então ministro contemporiza, dizendo que aliados estavam tentando demover Bolsonaro da troca.

Após a veiculação das mensagens, a deputada disse que sua intenção era “abafar” o conflito entre Moro e Bolsonaro.

“Ontem, o Planalto não queria que o ministro saísse. Assim como diversos brasileiros no meio de uma crise, a gente não quer que o ministro, que todos têm admiração, saia. Como tenho amizade com ele [Moro], me dispus a entrar em contato e chegar a um entendimento, já que ele e Bolsonaro não tinham chegado a entendimento, me propus a ajudar”, afirmou. 

Deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) exibe conversas com Sergio Moro
Deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) exibe conversas com Sergio Moro
Foto: Foto: Reprodução/Facebook

Zambelli disse saber que “o problema estava em cima do nome do diretor da PF que foi exonerado hoje”, Maurício Valeixo.

“Eu disse: ministro, deixa eu tentar pelo amor de Deus, lhe acompanho há anos, e falei para o ministro: já fui presa defendendo suas ideias e ideais, por favor ministro, aceita o Ramagem”, relatou. “Eu queria dizer que o Ramagem era um bom nome, e ele confirmou isso, em coletiva nacional, que era um bom nome, estava propondo a ele aceitar o Ramagem, que era um nome bom para ele e bom para o Bolsonaro. E como uma cidadã, como qualquer um de vocês, eu disse: seu lugar é no STF eu te ajudo a ir para o STF, e a gente tenta fazer o presidente prometer. E ele escreveu que não estava à venda”. 

Zambelli disse estar decepcionada, surpresa e traída com o fato de Moro divulgar suas conversas pessoais para a imprensa. Ela afirmou que sempre teve grande admiração e amizade por Moro — que inclusive foi seu padrinho de casamento. 

“Como uma pessoa tira um print de uma conversa? Eu sou uma deputada e ele ministro, é como se eu estivesse conversando com o presidente. É a mesma coisa que eu vazar uma conversa com um cidadão, não se vaza, não se faz isso com as pessoas, isso é uma conversa particular entre mim e ele. Ele tinha um mandado para vazar assim? Será que isso é só trairagem? Ou é crime também? Eu estou decepcionada.” 

A deputada declarou que estava triste com a saída de Moro, mas que continuaria ao lado de Bolsonaro.

“O fato dele sair não muda nada pra mim, eu continuo com Bolsonaro, e o Moro vai passar. Daqui a 10, 20 dias, ele vai estar dando aula em algum lugar e a gente vai continuar fechado com Bolsonaro”, afirmou. “Eu nunca imaginei que um amigo poderia fazer isso. Ministro, o que eu fiz para o senhor me expor dessa maneira? Que decepção, hashtag continuo fechada com Bolsonaro”.

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