Ed Sheeran se posiciona sobre saída da Macklemore da turnê: "Sei quem sou"
Cantor se pronuncia após rapper ter afirmado que foi demitido devido à opinião sobre o conflito entre Palestina e Israel

O cantor Ed Sheeran, 35, se pronunciou sobre a saída do rapper Macklemore, 43, de sua turnê. Em um post feito no Instagram nesta terça-feira (15), o artista britânico se defende e afirma que a decisão de demitir o rapper do show de abertura não partiu dele.
Tudo começou na segunda-feira (14), quando Macklemore publicou um pronunciamento falando sobre sua saída inesperada da atual turnê de Ed Sheeran. No post, o rapper explicou que seu discurso sobre a guerra entre Israel e Palestina, em que pede paz em Gaza e Cisjordânia, influenciou na sua exclusão da tour.
Nas redes sociais, Ed Sheeran se pronunciou, afirmando estar "horrorizado com o conflito entre Israel e Palestina", mas que, após o discurso de Macklemore, os locais dos próximos shows de sua turnê comunicaram que cancelariam as apresentações caso ele continuasse participando.
"Fui informado de que essa posição se baseava na forma como Macklemore transmitiu parte de sua mensagem durante a apresentação, e não em tudo o que foi dito", afirma. "Passei toda a semana conversando longamente com os locais na tentativa de construir uma ponte. Uma dessas pessoas foi Robert Kraft. Também participei de conversas diretas com produtores, além de ativistas de ambos os lados, na tentativa de encontrar uma solução que atendesse a todos, mas a decisão dos locais e do produtor foi final", completa.
Robert Kraft é um dos grandes empresários da NFL (Liga Nacional de Futebol Americano) e dono do New England Patriots. Sheeran fará uma apresentação no Gillette Stadium, propriedade do Kraft Group. Segundo Macklemore, Sheeran afirmou que Kraft não teria dado permissão para que o rapper se apresentasse no estádio dele.
Em seu posicionamento, Sheeran declara, ainda, que a saída do rapper da turnê foi uma decisão do promotor. "O contrato do Macklemore para a turnê era com o promotor, não comigo", afirma. "Eu nunca decepcionaria os fãs que se planejaram, nem abandonaria a equipe da turnê, os outros atos de abertura e os músicos que dependem de mim para trabalhar e se sustentar", completa.
Em seguida, Sheeran afirma que prefere não se pronunciar publicamente sobre sua posição a respeito do conflito entre Palestina e Israel.
"Eu não sou cúmplice. Tenho minhas opiniões pessoais sobre este conflito devastador. Só porque escolho não falar publicamente, não significa que eu não as tenha e nem que eu não me importe. Tampouco significa que eu não apoie causas da minha própria maneira, pessoal", completa.
"Há um motivo para eu não usar minha plataforma profissional para política — meu público inclui jovens, frequentemente crianças, de todas as origens. Quem vai aos meus shows não espera um fórum político. Respeito a firmeza de propósito do Macklemore em se posicionar e gritar pelo que ele acredita. No entanto, há espaço para múltiplas abordagens para o mesmo fim: a paz", acrescenta.
Por fim, Sheeran afirma que "escolhe usar sua fama e plataforma para ser um lugar de segurança e refúgio, para manter a diplomacia e manter as conversas abertas, e não fechadas".
"Se nos focarmos apenas em quem grita mais alto, nada jamais mudará. Existem maneiras diferentes de ser um defensor da mudança", afirma. "Passei esta semana tentando construir pontes, encontrar uma solução e, infelizmente, não consegui. Eu sei quem sou, tanto como pessoa quanto como artista, e aqueles que conhecem meu coração também conhecem meus valores", finaliza.
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Entenda a saída de Macklemore da turnê de Ed Sheeran
Na segunda-feira (14), Macklemore publicou um longo texto explicando os bastidores da sua saída da turnê de Ed Sheeran. Reforçando seu compromisso com pautas humanitárias, o compositor abriu a publicação destacando que nenhuma das pessoas envolvidas "são vítimas" e que o público não deveria "deixar de continuar olhando para o povo palestino, que são as verdadeiras vítimas".
"Ed é meu amigo. Eu o conheço há 13 anos. Já compartilhamos conversas tarde da noite, sessões no estúdio e palcos. Ele tem essa magia contagiante que aprendi a amar. Eu o considero como um irmão. E, por isso, tivemos algumas conversas difíceis nesta última semana", escreveu.
Logo em seguida, o rapper relembrou o discurso que ele e Pink fizeram no palco no MetLife Stadium, em Nova Jersey, no último dia 4, pedindo "paz em Gaza e na Cisjordânia", e afirmou que Robert Kraft, um dos grandes empresários da NFL (Liga Nacional de Futebol Americano) e dono do New England Patriots, teria tido influência em sua exclusão da tour.
"Ed me contou que Robert Kraft ligou para ele. Estávamos com um show marcado para o Gillette Stadium, de propriedade do Kraft Group, para o final deste mês. Ed me disse que Kraft afirmou que eu não teria permissão para me apresentar no estádio dele", contou.
Em seguida, o compositor continuou, dizendo que Kraft teria se reunido com outros donos de estádios e, em conjunto, eles teriam chegado a um ultimato: "se Macklemore continuar na turnê, ele não teria permissão para se apresentar nos locais gerenciados por eles".
Ao longo do texto, o norte-americano criticou a posição "apolítica de Ed e de muitos outros envolvidos", mas afirmou entender que "escolher um lado custa dinheiro, parceiros, investidores, festivais, relações e acesso".
Reforçando sua posição política e social sobre o caso, o rapper desejou que sua relação com Sheeran não mude por conta do impasse e declarou que "13 anos de amizade não desaparecem por conta de uma briga dolorosa. Minha porta sempre estará aberta para continuarmos essa conversa."
"Eu não precisava de 10 shows do Ed. Eu precisava de dois. Duas chances de estar na frente de 90 mil pessoas e dizer as palavras que, de alguma forma, tornaram-se perigosas demais para serem ditas. Palestina livre", finalizou.
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