"Primetime" retrata um dos maiores programas dos EUA nos anos 2000; conheça
Filme explora os bastidores do programa "To Catch a Predator" e um de seus casos mais sombrios
O filme "Primetime", estrelado por Robert Pattinson, chegou ao circuito internacional de festivais com força total. A produção recebeu aplausos por sete minutos no prestigiado Festival de Veneza e promete agitar a corrida ao Oscar nos próximos meses, com estreia prevista nos Estados Unidos para o dia 25 de setembro.
O longa se inspira em um dos programas de maior audiência dos Estados Unidos nos anos 2000: "To Catch a Predator", uma série de reportagens exibida dentro do Dateline NBC e apresentada pelo jornalista Chris Hansen.
A atração atraía adultos que acreditavam estar conversando com adolescentes em salas de bate-papo online, confrontava-os diante das câmeras e entregava as evidências às autoridades.
Como funcionava o programa?
A produção do programa trabalhava em parceria com a organização Perfect Justice, cujos integrantes se infiltravam em salas de bate-papo fingindo ser adolescentes e conversavam com adultos interessados em marcar encontros. Quando o encontro era agendado, o homem era direcionado a uma casa montada pela equipe do programa, onde atores adultos se passavam pelos supostos jovens e câmeras escondidas registravam toda a abordagem. Chris Hansen então surgia de surpresa, apresentava trechos das conversas online e questionava o investigado sobre suas intenções.
Foram cerca de 20 programas produzidos a partir de 12 operações, exibidos entre 2004 e 2007. Nos primeiros anos, a reação do público foi de aprovação generalizada, especialmente porque a internet doméstica e as salas de bate-papo já despertavam grande preocupação entre os pais. O programa recebeu elogios, gerou reportagens sobre segurança digital e chegou a ser citado positivamente no Congresso americano.
As polêmicas e o caso central do filme
Com o tempo, jornalistas e advogados passaram a questionar se o programa não estava indo longe demais. O debate girava em torno de questões éticas fundamentais: o programa documentava crimes reais ou contribuía para produzi-los? A exposição em rede nacional não seria uma condenação antes mesmo de qualquer julgamento? E até que ponto seria aceitável transformar a vergonha pública em produto televisivo?
Alguns episódios ajudaram a intensificar esse debate. Um rabino tornou-se um dos personagens mais comentados do programa por ocupar uma figura de autoridade religiosa. Outro caso perturbador envolveu um homem que levou o próprio filho, de aproximadamente 5 anos, à casa preparada pela equipe. Mas o episódio que mudou definitivamente os rumos do programa foi o de um promotor assistente do Texas. Diferentemente dos demais investigados, ele não compareceu à casa armadilha — ainda assim, a produção foi até a residência dele, acompanhada da polícia. Quando os agentes entraram na casa, o promotor tirou a própria vida.
É exatamente esse episódio que está no centro de "Primetime". O roteiro se inspira especialmente em uma reportagem publicada na revista Esquire sobre essa operação no Texas, sem a pretensão de retratar os acontecimentos com fidelidade absoluta. O filme levanta questões sobre o que ocorre quando o jornalismo se transforma em espetáculo voltado exclusivamente para a audiência. Até o momento, não há data de estreia confirmada para o Brasil.


