Megashow da Shakira no Rio é prova máxima da força da onda latina no Brasil
Passagem de Bad Bunny e a vinda de artistas menores para grandes palcos ajudam a reforçar a tese
O megashow que a cantora Shakira, 49, fez para mais de 2 milhões de pessoas na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi a coroação da forte onda latina que tem invadido a cultura musical brasileira nos últimos anos. A colombiana foi a atração deste ano do Todo Mundo no Rio, sucedendo Lady Gaga e Madonna.
A atual turnê da artista é uma das mais bem-sucedidas dentre as feitas por cantoras mulheres na história, em uma lista encabeçada por nomes como Taylor Swift, Pink, Beyoncé, Lady Gaga e Madonna. E a vinda dela para o maior evento de música do mundo aconteceu no mesmo ano em que o porto-riquenho Bad Bunny leva o prêmio de Álbum do Ano no Grammy Awards e Karol G se torna a primeira latina a ocupar o espaço de headliner no Coachella, o principal festival de música do mundo.
Em entrevista à CNN, Pedro Kurtz, diretor de operações e conteúdo Latam da Deezer, explicou que a música latina ganhou força nos últimos anos porque não está mais à margem do eixo global; ela é o centro. A própria Shakira, Julio Iglesias e Ricky Martin são exemplos de nomes que precisaram furar a bolha para chegar a um sucesso global em outros tempos, fazendo um esforço que hoje já não é mais tão necessário. O mundo consome música latina como regra.
"Antigamente, a gente tinha a cultura latina sempre um pouco à margem desse eixo global de cultura do hype. Nos últimos tempos, ela vem para o centro desse eixo global. A gente não está olhando mais para uma cultura que está à margem; é uma cultura que realmente está centralizada, que está hype, que está cult", declarou Kurtz.
"Antigamente, a música latina em espanhol, para chegar ao Brasil, fazia um caminho não muito usual: ela saía do seu país de origem, ia para os Estados Unidos e, depois que acontecia lá, é que chegava ao Brasil. Hoje, a decisão de consumo está na mão do usuário."
A relação de Shakira com o Brasil é muito antiga, tendo ela feito shows até em cidades fora do círculo tradicional de shows internacionais, como Taubaté (SP) e Uberlândia (MG). Isso, no entanto, não é comum, já que o brasileiro mantém um certo afastamento em relação à cultura latina. Kurtz defende que o impacto do show em Copacabana coroa um ponto de inflexão nessa relação.
"É uma demonstração muito grande do momento que a gente vive no Brasil com relação à nossa identidade latino-americana", afirmou. "O Brasil sempre foi um país um pouco mais isolado dentro da América Latina, do ponto de vista cultural. O que está mudando agora, de fato, é que a gente começa a consumir diretamente da fonte."


