"Morte e mistério na Amazônia" desmistifica fantasia e dá voz às vítimas

Produção que estreia nesta quinta-feira (10) investiga lenda de Akakor e confronta versões sobre o caso

Nicoly Bastos, da CNN Brasil
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Por décadas, a história de Tatunca Nara foi cercada por teorias e relatos extraordinários. Ao revisitar o caso, a nova série documental da HBO Max, “Morte e Mistério na Amazônia”, teve o objetivo de entender o que existe por trás da lenda e recuperar a história das pessoas que foram atraídas para a Amazônia pelas promessas da cidade perdida de Akakor. A produção estreia nesta quinta-feira (10) no serviço de streaming.

Em entrevista à CNN Brasil, a equipe envolvida no projeto destacou o "rigor jornalístico" da obra, com o foco em dar voz às vítimas do caso, que embalou a Amazônia na década de 1970.

"É uma coisa meio mítica, assim: Tatunca Nara, cidade perdida, Amazônia. Mas a gente não tinha ainda entendido. Quando a gente se debruçou nessa história e começou a fuçar, a gente foi entendendo quão rica ela é em tantos aspectos”, afirmou Tatiana Issa, diretora da série ao lado de Guto Barra.

Adriana Cechetti, diretora sênior de Conteúdo Não-Ficção - Brasil na Warner Bros. Discovery, discutiu sobre a história ser mais atual do que aparenta.

"É um tema atual, com um desdobramento atual. Uma história que ainda pode ter um novo desfecho. Isso para a gente é muito interessante e acho que nos embasa muito para contar essa história agora”, ressaltou.

“Não cair na facilidade de mergulhar na fantasia”

A quantidade de relatos extraordinários envolvendo o caso também exigiu um cuidado especial na apuração. Guto Barra explicou que algumas das fontes ouvidas pela equipe tinham convivido com Tatunca ou participado de determinados acontecimentos, mas isso não significava que suas versões poderiam ser apresentadas automaticamente como fatos.

“Essa série exigiu da gente, acho que de todos nós aqui como equipe, um rigor jornalístico muito grande muito por conta até das fontes, das pessoas que a gente ia entrevistar”, disse. “Tem pessoas que conviveram com Tatunca, que participaram de certas coisas, mas que às vezes você começa a olhar e talvez elas também tenham ali suas questões. Então, você tem que ter um senso crítico muito grande para entender a qualidade daquela informação que a pessoa está passando”, continuou.

Segundo ele, a equipe buscou confirmar as informações por diferentes meios antes de levá-las ao público.

“Ter certeza de que tudo que está entrando no ar pode ser corroborado de outras formas é uma coisa que a gente sempre faz, mas aqui eu acho que os personagens que a gente está validando, essas testemunhas de tudo isso, eram personagens que também tinham suas interpretações fantásticas das coisas”, afirmou.

Não se deixar levar pelo universo fantástico que envolve a história foi um grande desafio.

“Eu acho que, nesse lugar de a gente tomar cuidado, na direção, no roteiro, na narrativa, é não cairmos na facilidade de mergulhar na fantasia do tema”, ressaltou Tatiana.

Vítimas no centro da história

Para Patrício Diaz, gerente sênior de Conteúdo Não-Ficção - Brasil da Warner Bros. Discovery, o rigor jornalístico da produção está também em “desmistificar essa ideia de cidades perdidas, tesouros e grandes civilizações que nunca foram achadas”, uma concepção que considera ligada a um imaginário colonialista europeu.

Ao mesmo tempo, o profissional explicou a importância de recuperar a identidade das pessoas que acabaram transformadas em personagens de uma história cercada de mistério.

“Precisávamos trazer as vítimas e dar nome e sobrenome a elas”, afirmou.

Relembre o caso

O caso ganhou notoriedade nas décadas de 1970 e 1980, a partir dos relatos sobre Akakor, uma suposta cidade perdida que, segundo a lenda, estaria escondida no coração da floresta amazônica e teria sido habitada durante milhares de anos por uma antiga civilização.

As histórias despertaram o interesse de aventureiros, pesquisadores e exploradores, principalmente da Europa e dos Estados Unidos. Motivados por relatos sobre a suposta civilização, diversos estrangeiros viajaram para a região amazônica em busca da cidade. As expedições acabaram cercadas por desaparecimentos, mortes e investigações que se estenderam por décadas.

Tatunca Nara tornou-se o principal personagem dessa história ao afirmar que era descendente dos Ugha Mongulala, um povo indígena que, segundo seus relatos, teria ligação com Akakor. Ele também dizia conhecer o caminho até a cidade perdida e passou a atuar como guia para expedições que entravam na floresta em busca do local.

Com o passar dos anos, Tatunca passou a ser associado ao desaparecimento e à morte de alguns dos exploradores que estiveram na região. As circunstâncias dos casos deram origem a diferentes investigações, suspeitas e teorias.

Apesar das décadas de buscas e investigações, a existência de Akakor nunca foi comprovada.

Confira o trailer de "Morte e Mistério na Amazônia"

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