Por que você não deve fazer álcool em gel em casa


Anna Satie Da CNN Brasil, em São Paulo
12 de março de 2020 às 20:38 | Atualizado 16 de março de 2020 às 09:57
Mulher colocando álcool em gel na mão

Coronavírus aumenta a demanda por álcool em gel

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O número crescente de casos do novo coronavírus (COVID-19) no Brasil fez com que o álcool em gel desaparecesse das prateleiras das farmácias. A dificuldade em encontrar o produto fez com que "como fazer álcool em gel" fosse uma das perguntas mais buscadas na internet desde quinta-feira (12), de acordo com o Google. No entanto, a tentativa de produção caseira do seu próprio desinfetante não é recomendada por especialistas.

"Existe uma concentração ideal de álcool para que ele tenha ação antisséptica. Em casa, as pessoas não têm os instrumentos ou a matéria-prima correta, e o resultado provavelmente não funcionar", explica a professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (Universidade de São Paulo), Vladi Consiglieri.

Além da ineficácia, o produto caseiro pode irritar a pele. "Quanto maior a concentração de álcool, mais desidratante. Por isso, é melhor usar o álcool em gel industrializado, que tem ingredientes que não agridem tanto", diz Consiglieri.

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Algumas das receitas ensinadas na internet usam materiais como vodca e gel de cabelo, mistura que poderia resultar em vermelhidão e irritação cutânea. A professora ensina que os melhores produtos para prevenir doenças provavelmente já estão na sua casa: água e sabão.

"O ideal mesmo é lavar bem as mãos, por no mínimo 30 segundos, esfregando as dobras dos dedos, os punhos e escovando as unhas", instrui. O procedimento deve ser repetido ao chegar em casa e ao tocar superfícies e objetos que entraram em contato com outras pessoas.

Caso lavar as mãos não seja possível no momento, ela recomenda evitar tocar os olhos, a boca, o nariz e os ouvidos. Mas dá a dica: caso não encontre o álcool em gel em drogarias comuns, procure uma farmácia de manipulação, que pode produzi-lo sem receita.

"Qualquer antisséptico é considerado medicamento e qualquer medicamento só pode ser produzido por farmacêuticos", adverte.

Brasil tem 200 casos confirmados

O Brasil tem 200 casos confirmados do novo coronavírus (COVID-19), de acordo com dados atualizados pelo Ministério da Saúde na tarde de domingo (15).

Há 15 estados com pessoas infectadas, e a maior parte das infecções está na região Sudeste. São Paulo tem 136 pacientes, seguido pelo Rio de Janeiro, com 24.

Também há casos no Distrito Federal (8), Rio Grande do Sul (6), Santa Catarina (6), Paraná (6), Goiás (3), Minas Gerais (2), Bahia (2), Pernambuco (2), Amazonas (1), Alagoas (1), Sergipe (1), Espírito Santo (1) e Rio Grande do Norte (1).

De acordo com o Ministério da Saúde, ainda há 1.913 casos suspeitos. Outros 1.486 já foram descartados.

Secretário alerta para tragédia

O secretário de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, Edmar Santos, afirmou em entrevista à CNN Brasil, na manhã desta segunda-feira (16), que é preciso que a população siga a recomendação de ficar em casa para reduzir a velocidade de transmissão do novo coronavírus ou então "viveremos, infelizmente, tragédias como da Itália e da Espanha".

"Não tem exagero nenhum [na preocupação com o COVID-19], mas depende de qual decisão cada cidadão desse vai tomar. Se a gente ficar em casa, como é a orientação, poderemos ter índice de letalidade como da Coreia do Sul - que está em 0,5% a 0,7%", explica.

"Se a gente não obedecer essas regras no momento, poderemos enfrentar, em um mês, o caos que a Itália está vivendo - uma verdadeira calamidade pública, com índice de mortalidade de 7,2%. Essa decisão entre 0,5% e 7,2% é nossa", completa.

Vida em Quarentena

A quarentena se tornou a realidade de muitos brasileiros. No primeiro episódio do E Tem Mais, publicado nesta segunda-feira (16), Monalisa Perrone conversa com um estudante em isolamento para entender o que muda na vida de alguém que passa a maior parte do tempo dentro de um quarto.