Mandetta diz considerar aglomerações 'completamente equivocadas'


Da CNN Brasil, em São Paulo
15 de março de 2020 às 19:18 | Atualizado 15 de março de 2020 às 19:39

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse neste domingo (15) à CNN Brasil considerar aglomerações, como protestos ou eventos culturais, “completamente equivocadas” por causa do risco de disseminação do coronavírus.

A afirmação veio horas após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participar de manifestação pró-governo em Brasília. 

Em um vídeo compartilhado por um canal de apoio ao presidente, Bolsonaro aparece cumprimentando um grupo de manifestantes que se reunia em frente ao Palácio da Alvorada. Ele pegou celulares para tirar fotos —atitudes não recomendadas pelo Ministério da Saúde e pelo próprio Bolsonaro para conter a disseminação da doença.

Segundo o ministro Mandetta, Bolsonaro não está em isolamento. "Qual era a situação do presidente? Ele estava na mesma situação de... Vamos supor que você estivesse dentro de um avião vindo dos Estados Unidos para cá, que fosse um voo comercial e o cidadão da fileira de trás chegou no voo número tal, passou mal, foi no hospital e deu positivo. O que a gente faz? A gente avisa você, que estava na frente, que o passageiro da cadeira 5B, que estava atrás da sua, deu positivo para coronavírus", disse.

"O senhor, se tiver febre, mal estar, coriza, qualquer coisa, o senhor procura uma unidade de saúde e a vigilância sanitária fica ligando para a pessoa. O que a gente recomenda? Pelo bom senso, você evite contato com idosos, mas é monitoramento."

Questionado sobre o que acha de grupos de pessoas em um mesmo local, o ministro afirmou: "Acho que fazer aglomeração é completamente equivocado".

Além de protestos, ele citou cultos e missas, cinemas e teatros. Para o ministro, é necessário, pelo menos a curto prazo, uma mudança de comportamento. "Está na hora de a Igreja Católica, da igreja evangélica, dos pastores, dizerem vamos fazer nossas orações ou em casa ou em cultos muito pequenos."

Protesto

Bolsonaro cumprimenta apoiadores em ato pró-governo em Brasília

Bolsonaro cumprimenta apoiadores em ato pró-governo em Brasília

Foto: Adriano Machado/Reuters

Após cumprimentar manifestantes em frente ao Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro voltou ao Palácio da Alvorada, onde se encontrou com cerca de 20 apoiadores. O presidente foi recebido com uma oração. “Vocês me botaram aqui, agora têm que me ajudar a ficar e governar”, disse.

O presidente participou dos atos, que ele diz não ter convocado, mesmo depois de ter pedido à população, em pronunciamento de rádio e TV, que não fosse às manifestações, em virtude da pandemia de novo coronavírus. A doença tem tido um número de casos cada vez maior no Brasil e já contaminou 121 pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde.

Bolsonaro estava em monitoramento em Brasília depois que quatro membros de sua comitiva que viajaram com ele para os Estados Unidos foram diagnosticados com o novo coronavírus —o secretário de Comunicação Fabio Wajngarten, a advogada Karina Kufa, o senador Nelson Trad (PSD-MS) e o encarregado de negócios da Embaixada do Brasil em Washington, Nestor Forster.

O presidente disse ter feito um teste para a doença, que, segundo ele, deu negativo. Apesar disso, ele  deve ser testado novamente para o novo coronavírus nesta semana.