Coronavírus: risco de contágio por embalagem em delivery é baixo


Mariana Toro Da CNN
23 de março de 2020 às 11:26
Para evitar aglomerações, autoridades recomendam optar por entregas a domicílio

Para evitar aglomerações, autoridades recomendam optar por entregas a domicílio como forma de frear a disseminação do novo coronavírus

Foto: Luisa Gonzalez - 12.set.2019/ Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os governadores de vários estados do país sugeriram que os norte-americanos evitem os restaurantes em razão da pandemia do novo coronavírus. Em troca, disseram que seria melhor optar pelas entregas a domicílio, o que tem levado muitas pessoas a se perguntarem se a medida é realmente segura.

Primeiro, a boa notícia: é provável que o vírus não seja transmitido pelo alimento em si, disse o médico Ian Williams, chefe do setor de Resposta e Prevenção de Surtos do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).

“Não há evidência de que, até agora, a COVID-19 seja transmitida por alimentos ou serviços de alimentos”, afirmou Williams em um webinar. “Isso realmente é respiratório, de pessoa para pessoa. Neste momento, não há evidências que nos mostrem que a comida ou o serviço de alimentos sejam formas de aumentar a epidemia”, disse.

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A Administração de Medicamentos e Alimentos dos EUA (FDA, em inglês) ecoou a ideia, dizendo em seu site oficial que não tem conhecimento sobre qualquer relatório que indique que o novo coronavírus possa ser transmitido através de alimentos ou embalagens.

Isso é o que se sabe até agora e os especialistas disseram que continuarão monitorando o vírus. No entanto, a FDA emitiu um alerta para que todos os setores da cadeia de alimentos sigam práticas de higiene adequadas, como lavar as mãos e limpar as superfícies regularmente para manter baixo o risco de contaminação.

Comprando comida por delivery

Mais notícias tranquilizadoras: há pouco risco de contrair o vírus de alimentos ou embalagens entregues por delivery, informou Benjamin Chapman, professor e especialista em Segurança Alimentar da Universidade Estatal da Carolina do Norte.

“Quero esclarecer que alimentos e embalagens podem transmitir o vírus, mas o risco é muito, muito pequeno”, disse Chapman. “Esta é uma possibilidade remota mil, se não milhões, de vezes menos provável que qualquer outra maneira de exposição”, destacou.

Para ele, qualquer risco real de contaminação seria por parte do funcionário que entrega a comida. “Há a possibilidade de o funcionário estar doente, mas o comércio deve seguir as políticas de saúde com relação aos empregados e as recomendações do Departamento de Saúde para manter essas pessoas em casa”, disse Chapman.

“Muitos dos serviços de entrega estão trabalhando com as melhores práticas”, afirmou Don Schaffner, especialista em ciência dos alimentos, riscos microbianos, lavagem de mãos e contaminação cruzada.

Notícias ainda mais reconfortantes: se forem ingeridos alimentos com o vírus, não há muitos receptores no trato digestivo para que ele possa ser absorvido, então “engolir” o vírus provavelmente não levará a contrair a doença. Em outras palavras, o sistema digestivo eliminaria o vírus, explicou Williams.

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Apesar do risco pequeno, há medidas que devem ser seguidas por aqueles que estão mais preocupados, especialmente os idosos. Os especialistas recomendam que se pegue com luvas qualquer embalagem de comida entregue em casa.

“Você pode retirar seu alimento da embalagem externa, jogar ela fora ou reciclá-la adequadamente” e colocar a comida em um prato, aconselha Schaffner. Em seguida, depois de tirar as luvas, “lave ou desinfete as mãos antes de sentar para comer”.

No supermercado

Aqui a situação é mais preocupante: aglomerações de pessoas que podem tossir, espirrar ou propagar seus germes nos carrinhos de supermercado e nas filas dos caixas. Isso explica por que o distanciamento social é incentivado e parte da razão pela qual os mercados e lojas podem ser um problema.

Muitas pessoas se sentem estressadas e ansiosas com relação à disponibilidade dos alimentos, apesar das informações divulgadas de que os supermercados serão reabastecidos. Para aqueles que se preocupam com as multidões, ir a esses locais nos horários com menos fluxo de pessoas pode ser melhor.

“A meu ver, as pessoas nas lojas são o maior risco”, disse Chapman, com relação ao supermercados. Qualquer um que esteja doente ou acredite estar doente deveria evitar ir aos mercados, alegam os especialistas. “Pensem nas outras pessoas que poderiam ser afetadas”, afirmou Schaffner. “Se você está doente, considere usar um serviço de entrega a domicílio.”

Há coisas que você pode fazer no mercado por conta própria, se tiver as ferramentas adequadas. Por exemplo, se precisar tocar no carrinho ou cesta, leve luvas, toalhas ou desinfetante para as mãos, assim como sacolas recicláveis. Quando se trata de alimentos e embalagens em um supermercado, os riscos são baixos, segundo os especialistas.

“Apesar de ser possível que o vírus fique [na embalagem], não temos indícios de estudos que mostrem que este seja um fator de risco para contrair a COVID-19 e outras doenças respiratórias”, disse Chapman. 

No pior dos casos, é provável que o novo coronavírus seja um problema somente se uma pessoa infectada tossir ou espirrar diretamente sobre a comida ou a embalagem, em vez desta somente ser tocada por alguém, alegaram os dois especialistas. Contudo, para contrair o vírus desta maneira, seria necessário tocar o alimento contaminado e, logo em seguida, tocar o rosto”, explicaram.

Todas as agências e especialistas em saúde ressaltaram que manter as mãos afastadas da face é a principal forma de evitar a contaminação. Por isso, disse Schaffner, quando sair da loja ou supermercado, é importante se certificar de desinfetar as mãos.

“Se você está preocupado, sempre lave ou desinfete as mãos depois de mexer com qualquer coisa que possa estar contaminada”, aconselhou ele.