OMS diz que sistemas de saúde de todo o mundo estão sobrecarregados

O órgão informou que publicará nesta semana um relatório para orientar os países a conseguirem lidar com os impactos da pandemia

Da CNN, em São Paulo
30 de março de 2020 às 12:25 | Atualizado 30 de março de 2020 às 13:33
Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS, durante entrevista coletiva em Genebra
Foto: Christopher Black - 16.mar.2020/ Reuters

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom, alertou que os sistemas de saúde de diversos países estão sobrecarregados em função dos inúmeros casos do novo coronavírus que chegam aos hospitais a cada dia. Com isso, o órgão informou que publicará nesta semana um relatório para orientar os países a conseguirem lidar com os impactos da pandemia.

Durante uma entrevista coletiva nesta segunda-feira (30), em Genebra, Adhanom afirmou que, apesar de o planeta estar no meio de uma crise, os serviços essenciais precisam continuar em funcionamento e manteve a recomendação de que o isolamento é a melhor forma de lídar com o vírus.

Ele reiterou os pedidos aos países por investimentos em tratamentos e pesquisas em busca de uma vacina, e destacou a necessidade de ações imediatas para conceder acesso das populações mais vulneráveis a serviços essenciais.

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Ele também comentou que falou mais cedo em teleconferência com ministros de comércio do G-20, insistindo na importância de que seja garantida a logística de transporte de itens médicos para lidar com a situação.

"Pedimos aos países para aumentarem a produção e garantirem a distribuição de produtos essenciais", pediu o diretor-geral da OMS, acrescentando que há mais de 638 mil casos confirmados da doença no mundo.

Restrições e isolamento

No contexto de combate à pandemia, a OMS afirmou que medidas de restrição à circulação de pessoas "são difíceis, mas a alternativa é pior", já que a livre movimentação acelera o número de novos casos, pressionando os sistemas de saúde. Adhanom lembrou que essas restrições podem fazer autoridades ganharem tempo para responder ao problema.

Ao mesmo tempo, o diretor-geral observou que, diante do quadro atual de restrições em vários países, a maioria dos novos casos acontece dentro das casas das pessoas. Por isso, ele reiterou a importância de se continuar buscando esses casos para isolá-los e reduzir a disseminação da doença.

Adhanom afirmou ainda que muitas pessoas, inclusive em países ricos, dependem de seu trabalho diário para conseguir comprar comida, e destacou que os governos precisam levar esse contexto em conta, na hora de elaborar suas políticas.

"Temos de ver não apenas o impacto no PIB {Produto Interno Bruto), mas na vida dos indivíduos", ressaltou. Vários países têm adotado medidas fiscais para se contrapor à piora econômica, por exemplo prometendo pagamentos diretos aos trabalhadores mais afetados e concedendo empréstimos a empresas.

"A COVID-19 nos mostra como somos vulneráveis", disse ele. "A união é a única opção que temos para destruir esse vírus", destacou.

(Com Estadão Conteúdo)