Veterinário nega risco de contaminação por COVID-19 em pets


Da CNN, em São Paulo
04 de abril de 2020 às 14:58

Em meio às preocupações com animais de estimação por conta do novo coronavírus, o veterinário Atílio Sersun Calefi, docente de Microbiologia e Imunologia Veterinária da Universidade Cruzeiro do Sul, afirmou à CNN, neste sábado (4), que não há risco comprovado para os pets diante da pandemia.

"O animal mantém a vida dele e o dono cuida dele normalmente, e isso não significa que devemos negligenciar nossos cuidados", disse. 

Questionado, o especialista ainda disse que não há estudos que mostrem que o vírus fica no pelo de cães e gatos e que isso poderia ser um perigo de contaminação. "A preocupação principal é manter o vírus em superfície inanimada, então existem estudos que comprovam que ele fica até por 9 horas em metal, plástico, e é uma das formas pelas quais podemos nos contaminar", esclarece. "Então, acredito que antes de se preocupar com os animais em si, temos que focar nos hábitos comuns", completa. 

O médico explica que a informação sobre infecção de um gato aconteceu por conta de um estudo duvidoso, que gerou polêmica à toa. "Nós não temos nenhum relato que relacione a passagem do COVID de gatos e cachorros para o ser humano. O que aconteceu foi uma polêmica com um estudo chinês, com a divulgação de uma possibilidade da infecção do gato e, ainda assim, foi um estudo experimental com alguns questionamentos metodológicos e que não traz nenhuma relação da possibilidade da infecção do ser humano", explica.

Apesar dessa informação, Calefi disse que devem ser tomados cuidados gerais de higiene por parte dos donos de animais domésticos. "A preocupação é a mesma para qualquer outra doença emergente: é higiene, manter as mãos limpas e proteção facial, como se fosse qualquer outra doença infecciosa", alerta.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atualmente há mais cães e gatos do que crianças nos lares brasileiros.