‘Nenhuma pessoa deixou de ser atendida pela rede municipal de saúde’, diz Covas

Expectativa sobre flexibilização do isolamento em São Paulo, a partir de 11 de maio, só será confirmada após orientação da equipe médica

Da CNN, em São Paulo
25 de abril de 2020 às 16:59

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), falou à CNN neste sábado (25) sobre as medidas de combate ao COVID-19 e sobre as expectativas em relação à abertura gradual do comércio. Segundo ele, ainda não há uma data estipulada para a retomada das atividades na capital paulista, já que essa flexibilização só será anunciada após as orientações da ciência. Covas destacou, também, que as ações na cidade estão sendo tomadas em conjunto com o governo do estado. Atualmente, a capital paulista registra 1.125 mortes pela doença. 

Sobre a possibilidade de uma abertura parcial, e fim do confinamento em 11 de maio, anunciada pelo governador João Dória (PSDB), Bruno Covas explica: “A ideia é que a gente possa reabrir, mas isso só será feito e depende exclusivamente dos números que nós temos aqui na cidade de São Paulo, do 'ok' da área da ciência e vigilância sanitária. A gente aguarda os números mais próximo da data do dia 10 de maio para, em conjunto com ele [João Dória], anunciar quais medidas serão tomadas”.

Por isso, se até a data prevista de 11 de maio, os médicos apontarem que a situação da doença ficou ainda mais grave, o prefeito reforça que precisarão seguir normas ainda mais rígidas de isolamento social. E, assim como o fechamento das atividades foi acontecendo de maneira gradual, começando pelas empresas de bens e mercadorias, e depois as de serviço, a retomada também deverá ser liberada parceladamente. Bruno alerta que o comércio não está proibido de funcionar completamente, visto que as empresas podem atender via delivery e por aplicativo. "Assim que a gente tiver o ‘ok’ da área da ciência e vigilância sanitária, vamos publicar os protocolos sobre o atendimento presencial”, explica.

Sobre as escolas municipais, Bruno Covas afirmou que 500 mil alunos já receberam um material para continuarem o aprendizado de casa, e outros 500 mil receberão nesta próxima semana. 

Hospitais de Campanha


Abriu-se a possibilidade, a partir de agora, que pacientes com sintomas moderados da doença possam ser internados. “Como não tínhamos leitos de enfermagem disponíveis, o protocolo era que, tendo sintomas leves, as pessoas teriam que ir para casa, e se agravasse, voltariam a procurar o sistema público de saúde. Agora, com os hospitais de campanha, nós poderemos fazer a observação destas pessoas com sintomas leves”. Essa mudança se faz necessária, segundo Covas, porque alguns casos evoluem muito rapidamente, levando pacientes ao estado crítico. 

A segunda metade do hospital de campanha do Anhembi será entregue em começo de maio, já o Pacaembu está funcionando com 100% de estrutura. A previsão é que 2 mil leitos de enfermagem estejam disponíveis, nestes dois hospitais públicos, a partir do próximo mês. Além disso, a prefeitura irá entregar mais 100 leitos em uma ampliação do Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch (M'Boi Mirim ).

Em relação à taxa de ocupação dos hospitais, o prefeito trouxe o dado de que os leitos de UTI estão ocupados entre 65 a 70%. Sendo que a região leste é a única em que os leitos já estão sendo 100% usados. No entanto, o sistema de saúde está conseguindo levar estas pessoas aos locais mais próximos e com capacidade para atendê-las. “Até agora nenhuma pessoa deixou de ser atendida pela rede municipal de saúde”, diz. Porém, há um reforço para que todos fiquem em quarentena. “Se as pessoas flexibilizarem, voltarem a circular e a gente verificar que há um rebaixamento do número de pessoas que permanecem em casa, aí fica mais preocupante e podemos ter um pico da doença”.

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Dória já havia alertado a população, em coletiva de imprensa, sobre uma considerável queda na taxa de isolamento social na cidade de São Paulo. “Isso é grave. Não podemos abaixar de 50%. Sinal amarelo: precisamos voltar à taxa de 50% de isolamento", disse o governador.

Serviço Funerário



Em 2019, a cidade de São Paulo registrou uma média de 240 enterros por dia, após a pandemia do coronavírus, houve a necessidade de aumentar a estrutura dos cemitérios. Segundo Bruno Covas, hoje a cidade tem capacidade de fazer 400 enterros por dia. A fim do trabalho poder ser feito durante 24 horas, torres de iluminação serão instaladas na próxima semana. “Compramos mais de 30 mil urnas funerárias e compramos mais sacos reforçados para poder fazer o translado destes corpos até o cemitério mais próximo e referendado para o enterro destas pessoas”, afirma Bruno. Além disso, a prefeitura dobrou o número de carros do serviço funerário e contratou mais de duzentos coveiros. 

Uso de máscaras



O prefeito orienta sobre a necessidade do uso de máscaras dando como exemplo a área da saúde da prefeitura. Um consumo de trezentos e cinquenta mil máscaras por mês passou a ser de dois milhões e trezentos mil. Bruno Covas recomenda que a população em geral faça suas próprias máscaras em tecido, para não precisar gastar dinheiro com as descartáveis, que estão sendo vendidas ainda mais caras. E diz que o uso da máscara de pano é uma sugestão do Ministério da Saúde, e serve como uma boa proteção desde que sejam lavadas corretamente. 

Distribuição de cestas básicas



A população mais pobre, e, portanto, que está sendo mais impactada pela pandemia, é o foco de assistência pela prefeitura. “O que a gente tem feito com o recurso da prefeitura de São Paulo é o atendimento à população mais vulnerável”. Distribuição de cestas básicas nas comunidades, atendimento e distribuição de cartão alimentação para as famílias já cadastradas no Bolsa Família são algumas destas ações.