Sem acordo com estados, Saúde cancela detalhamento de diretrizes de isolamento

Ministro Nelson Teich busca apoio para sistema de pontos e cinco níveis diferentes de distanciamento social em função da pandemia da Covid-19

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
13 de maio de 2020 às 18:30
O ministro da Saúde, Nelson Teich
Foto: José Dias/PR (28.abr.2020)

O Ministério da Saúde cancelou uma entrevista coletiva marcada para esta quarta-feira (13) em que seriam detalhadas as diretrizes da pasta para orientar estados e municípios sobre o distanciamento social para combater a pandemia de Covid-19. O adiamento foi feito para "aguardar a pactuação da estratégia de gestão de riscos junto a estados e municípios", que resistem a aderir ao plano do governo federal.

O estabelecimento de uma diretriz é uma das bandeiras do ministro Nelson Teich diante da pandemia do novo coronavírus. Nomeado para substituir Luiz Henrique Mandetta (DEM), ele argumenta que os estados brasileiros possuem situações muito diferentes em relação à Covid-19, o que justificaria diferentes medidas em cada região.

"O objetivo era ter um plano construído em consenso. No entanto, esse entendimento não foi obtido nas reuniões conduzidas até o momento", disse o ministério, em nota.

Pontuação

A coletiva desta quarta era a segunda tentativa de Teich de apresentar a estratégia do ministério, um sistema baseado em um questionário, com respostas valendo diferentes pontos, chegando a uma pontuação que colocaria determinado estado ou município em um grau de risco e, portanto, de distanciamento social. Seriam cinco níveis, indo de "Distanciamento social seletivo I" até "Restrição máxima".

Na segunda-feira (11), o ministro apresentou o projeto em linhas gerais, mas se recusou a detalhá-lo, diante da notícia de que o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde (Conasems) estavam contra a sua proposta. Na data, ele prometeu o detalhamento para esta quarta, quando esperava ter chegado a um acordo com as entidades.

Segundo a manifestação enviada pelo Ministério da Saúde, a discussão com Conass e Conasems "será aprofundada", em função das "diversas realidades locais e cenário diferenciados em relação ao Covid-19". De acordo com a pasta, a discussão foi iniciada no último sábado (9).

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Cloroquina

Perto de completar um mês no cargo, o ministro Nelson Teich já se encontra pressionado no cargo. Ainda na coletiva de segunda-feira, ele admitiu que não havia sido consultado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a respeito do decreto que incluiu academias, barbearias e salões de beleza como atividades essenciais.

Teich também está sendo criticado por uma das razões que influenciaram na demissão de Luiz Henrique Mandetta: a reticência quanto ao uso precoce da hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19. A aplicação da cloroquina foi mais uma vez defendida por Bolsonaro nesta manhã. Assim como Mandetta, o ministro defende a medicação apenas com recomendação médica e diante da assinatura de termos de ciência de riscos, diante dos possíveis efeitos colaterais do medicamento.

Segundo apurou a analista da CNN Basília Rodrigues, uma nova troca no Ministério da Saúde não é descartada por auxiliares do presidente, que mais uma vez aventam o nome do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), médico e ex-ministro da Cidadania. No mês passado, Terra foi flagrado pela CNN em uma conversa com o atual ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, defendendo a demissão de Mandetta e se colocando à disposição para ajudar o governo a substituí-lo.