146 mil profissionais de saúde estão suspeitos ou confirmados para Covid-19

Outros 53 mil casos receberam o teste negativo; secretário afirma que orientação é afastamento em caso de gripe e que possível queda na mão de obra preocupa

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
14 de maio de 2020 às 18:48
Profissionais de saúde cuidam de paciente em UTI durante a pandemia de coronavírus. Porto Alegre, 17 de abril de 2020.
Foto: Diego Vara/Reuters

Balanço divulgado pelo Ministério da Saúde na tarde desta quinta-feira (14) aponta que cerca de 200 mil profissionais de saúde já foram registrados como casos suspeitos de Covid-19 no país, sendo que 31.790 receberam o diagnóstico positivo para o novo coronavírus e outros 114.301 estão em investigação.

Na prática, o número indica que um a cada seis casos confirmados da doença representa um profissional do sistema de saúde. O secretário substituto de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário, manifestou preocupação com os números, uma vez que todos os que manifestam sintomas gripais acabam tendo que ser afastados do trabalho enquanto aguardam a resposta de testes ou o tratamento em si.

"Todo profissional de saúde que manifesta sintomas gripais, como tosse e febre, precisa ser afastado preventivamente", afirmou Macário, que registrou que o afastamento crescente destes profissionais representa um risco para o sistema de saúde, sobretudo das regiões mais afetadas. "É importante não só termos os equipamentos, mas também termos os profissionais"

O secretário admitiu que os números podem ser ainda maiores, mas disse que ainda falta maior articulação com os estados e municípios para a padronização dos dados a esse respeito.

Enfermagem

Segundo os números do Ministério da Saúde, os profissionais de enfermagem são os mais afetados pela Covid-19. Somados os enfermeiros (33.733) e os técnicos ou auxiliares de enfermagem (68.250), esta classe representa 51,1% dos casos registrados.

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Na sequência aparecem os médicos (26.546, 13,3%) e os recepcionistas (8.610, 4,3%). Também são afetados os agentes de saúde, gestores de saúde, fisioterapeutas, farmacêuticos e biomédicos, entre outras categorias.

Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Ceará são os que tiveram o maior número de casos registrados.