Brasil chega a 31 mil profissionais de saúde infectados por Covid-19

Sindicato dos Médicos de São Paulo alerta para número crescente de profissionais de saúde afastados durante o combate ao novo coronavírus

Da CNN, em São Paulo
16 de maio de 2020 às 09:44

Em menos de dois meses, 74 médicos morreram no Brasil vítimas de Covid-19 desde o início da pandemia do novo coronavírus. Segundo o Ministério da Saúde, o país tem ao todo 31 mil profissionais de saúde infectados pela doença e 114 mil casos suspeitos.

Para o diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), o médico infectologista Gerson Salvador, faltam condições adequadas que assegurem a saúde dos profissionais que atuam no combate à doença.

"Não apenas no contexto da pandemia, mas os profissionais de saúde já vivem no limite. Há um grande contigente de profissionais afastados por problemas de saúde mental, doenças relacionadas ao trabalho e a cargas extenuantes. No caso da Covid-19, eles são os mais expostos. Na Espanha, 12% dos infectados são profissionais de saúde e, no Brasil, o número está no mesmo patamar", disse o especialista em entrevista à CNN neste sábado (16).

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Salvador também acrescentou que a falta de equipamentos de proteção individual (EPI) é a reclamação mais recebida pelo Simesp durante o combate ao novo coronavírus. Outro problema, segundo o médico, é a nova demanda das estruturas criadas para receber os pacientes de Covid-19.

"Temos nos serviços de emergência e terapia intensiva um contigente cada vez maior de profissionais sendo afastados e os que restam precisam trabalhar em dobro, tentando dar conta incluvise das demandas dos hospitais de campanha. São os mesmos profissionais que têm que se desdobrar."

"Temos ciência do nosso compromisso, oferecemos o melhor de nós dentro de um sistema de saúde que não oferece o melhor suporte possível. (...) Temos contado entre os nossos mortos também os médicos e profissionais de saúde", completou Salvador.