Progressão do novo coronavírus para o interior é 'inevitável' , diz Pazuello


Da CNN, em São Paulo
21 de maio de 2020 às 17:03 | Atualizado 21 de maio de 2020 às 18:23
O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello

Foto: Erasmo Salomão/Ministério da Saúde

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que a progressão da pandemia no interior dos estados é “inevitável” e que é necessário agir para que impactos maiores não ocorram nos municípios. A avaliação foi feita durante reunião de gestores do Sistema Único de Saúde. 

“Essa progressão vai acontecer e nós temos que estar preparados, aumentando ainda a capacidade dessas cidades”. Neste contexto, Pazuello também ressaltou a necessidade de preparar as cidades maiores, incluindo as capitais. “Porque elas também serão o destino dessas pessoas que vão buscar o tratamento”. 

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“Precisamos investir na capacidade de transportes para fazer as evacuações, respiradores de transporte, estrutura, que permita que a gente traga dessas cidades do interior para as capitais, para o tratamento”, afirmou.

Segundo ele, apesar dos casos nas capitais terem diminuído, há uma alerta para que as medidas continuem sendo feitas para conter a disseminação no interior. “Mesmo que tenha diminuído em algumas cidades e capitais, não podemos parar de investir na melhoria da estrutura, porque vai precisar atender também o interior”, reforçou. 

Na reunião, o ministro interino falou sobre o inverno nas regiões sul, sudeste e centro-oeste, que deverão se preparar para enfrentar o inverno. “[Para] o sudeste, o sul e o centro-oeste, é tempo de se preparar. É hora de acumular meios, estruturar UTIs, habilitar leitos, adquirir insumos e equipamentos, se preparar para o combate com a vantagem de estarmos observando o que está acontecendo, como foi o impacto no norte e nordeste”, afirma. 

Integração

Durante a reunião, Pazuello afirmou que tem dialogado com o presidente da Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Alberto Beltrame, e com o presidente do Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), Wilames Bezerra, com o objetivo de estreitar as relações com os secretários.

"Vamos tomar um café virtual todo dia para a gente ir conversando. A gente vai encontrar as melhores soluções", declarou. 

O encontro de hoje ocorre após desentendimentos entre secretários e o Ministério da Saúde sobre orientações do governo federal para distanciamento social e uso precoce da cloroquina.

Nas últimas semanas, os conselhos de secretários rejeitaram assinar a "matriz de risco" elaborada pela gestão do oncologista Nelson Teich, o que impediu a publicação como regra do SUS. O Conass também se opôs à nova orientação do ministério sobre a cloroquina.

Os representantes do conselho e Pazuello não trataram na reunião de assuntos como distanciamento social e uso precoce da cloroquina, que divide gestores locais e governo federal.

Pazuello foi recebido com discursos em tom de trégua feitos por representantes de secretários de Estados e municípios. No encontro, o militar defendeu gestão "apartidária" e sem ideologia, e afirmou que a "missão" dos gestores do SUS é salvar vidas.

O presidente do Conass e secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame, comemorou a "retomada do diálogo". "Não que tenha sido rompido, mas tivemos afastamento durante algum tempo", disse.

"Esse é um momento que é simbólico. Início da sua gestão, em que nós recebemos com enorme satisfação e alívio o seu discurso, fala e prática de busca de diálogo", completou Beltrame. O presidente do Conasems, Wilames Bezerra, também pediu "união" dos gestores.

Com Estadão Conteúdo