'Temos longo caminho, mesmo com vacina', diz ex-diretor de envelhecimento da OMS

O epidemiologista Alexandre Kalache, ex-diretor de Longevidade da Organização Mundial da Saúde (OMS), avaliou possibilidade de vacina contra Covid-19

Da CNN
02 de junho de 2020 às 09:37 | Atualizado 02 de junho de 2020 às 10:25

O epidemiologista Alexandre Kalache, ex-diretor do Programa de Envelhecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse à CNN, nesta terça-feira (2), que a contenção da pandemia da Covid-19 não se dará imediatamente após o início da aplicação de uma eventual vacina contra o novo coronavírus.

Kalache afirmou não acreditar na possibilidade da produção e distribuição de uma vacina eficaz ainda para este ano e afirmou que, além disso, apenas a dose não resolverá totalmente a questão.

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"Seria, inclusive, otimista dizer que a teríamos dentro de um ano", ponderou. "Isso porque mesmo que a vacina seja segura, vamos ter que ter muito mais tempo para esperar que ela gere os anticorpos necessários para oferecer a imunidade desejada", acrescentou.

Kalache exemplificou o problema ao citar o caso de pessoas assintomáticas, que não criam anticorpos contra a doença apesar de terem sido contaminadas. "Por que, então, esperar essa solução mágicas que todos nós gostaríamos para dar conforto para a população de que essa vacina gere os anticorpos que pessoas assintomáticas e definitivamente infectadas não estão apresentando?", questionou ele.

Para o médico, a zona de conforto está longe de acontecer. "Nós ainda temos um logo caminho, mesmo que a vacina seja segura", completou.

O ex-diretor da OMS ainda cobrou mais responsabilidade das autoridades ao tratar da doença. "Temos que ser solidários conosco. Não virão soluções mágicas, nem solidariedade de outros países se nós estamos continuamente mostrando irresponsabilidade na forma como estamos lidando com essa doença", finalizou.

(Edição: Sinara Peixoto)