Pessoas sem sintomas de Covid-19 devem ser testadas, diz epidemiologista

Segundo Daniel Soranz, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), pessoas com a doença já a transmitem pelo menos dois dias antes de os sintomas se manifestarem

Da CNN
09 de junho de 2020 às 14:14 | Atualizado 09 de junho de 2020 às 14:51


A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou nesta terça-feira (9) que a transmissão do novo coronavírus por pessoas que não apresentam sintomas de Covid-19 está acontecendo, mas é necessário determinar o quanto. Por isso, é necessário ampliar os testes para o novo coronavírus mesmo entre quem não está manifestando sintomas, disse o epidemiologista Daniel Soranz, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), à CNN.

Segundo Soranz, "ainda é uma discussão acadêmica, mas a gente já esperava que os pacientes assintomáticos tivessem uma capacidade de transmissão muito menor". Ele fez uma ponderação, no entanto, sobre a transmissão da doença por pacientes pré-sintomáticos.  

"A questão é que os pacientes que não têm sintomas, mas que vão desenvolver sintomas nos próximos dias -- a Covid-19 hoje, você leva em média cinco dias para manifestar os sintomas. Dois dias antes de manifestar os sintomas, você já está transmitindo, e com uma capacidade de transmissão muito alta", afirmou.

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Por isso, disse o epidemiologista, é necessário que os governos aumentem a capacidade de testagem.

"É necessário que o Ministério da Saúde, as prefeituras e os estados aumentem muito a capacidade de testagem, para a gente saber de fato quem tem a doença e quem não tem", afirmou.

Soranz afirma que, apesar das evidências científicas controversas no momento, a possibilidade de assintomáticos não transmitirem o vírus na mesma intensidade é alta. 

"Nós podemos trabalhar com esta afirmação sem grandes problemas. O que vamos precisar fazer neste momento é organizar a rede de assistência. O Ministério da Saúde, pela primeira vez na história, não é protagonista de uma pandemia. Se não tivermos a capacidade de testar, isso vai dificultar muito o processo de reabertura", afirmou. 

(Edição: Bernardo Barbosa)