Usar máscara é a melhor maneira de reduzir a transmissão da Covid-19, diz estudo


Andrea Kane e Allen Kim da CNN
13 de junho de 2020 às 11:47
Pessoas trabalhando usando máscaras respiratórias.

Pessoas trabalhando em um escritório usando máscaras respiratórias.

Foto: Deliris/Shutterstock

O novo coronavírus se espalha principalmente por transmissão aérea e usar uma máscara é a maneira mais eficaz de impedir a propagação de pessoa para pessoa, de acordo com um novo estudo.

Uma equipe de pesquisadores do Texas e da Califórnia comparou as tendências da taxa de infecção por Covid-19 na Itália e na cidade de Nova York antes e depois das máscaras faciais serem obrigatórias. De acordo com o estudo — publicado na quinta-feira (11) no Proceedings of the National Academy of Sciences —, ambos os locais começaram a ver as taxas de infecção achatarem-se apenas após a adoção obrigatória da máscara facial.

Os pesquisadores calcularam que o uso de máscaras faciais preveniu mais de 78 mil infecções na Itália entre 6 de abril e 9 de maio e mais de 66 mil infecções na cidade de Nova York entre 17 de abril e 9 de maio.

“O uso de máscaras faciais em público é o meio mais eficaz de impedir a transmissão inter-humana, em conjunto com o distanciamento social, a quarentena e o rastreamento de contatos, enquanto não desenvolvemos uma vacina”, diz o estudo.

Os pesquisadores avaliaram a eficácia de diferentes estratégias para interromper a propagação da infecção e determinar as principais formas de disseminação do vírus. Os vírus podem se espalhar por contato direto quando uma pessoa tosse ou espirra na direção de outra pessoa; pelo contato indireto, quando uma pessoa tosse ou espirra em um objeto que é tocado por outra pessoa; ou pelas pequenas gotículas, chamadas aerossóis, que podem percorrer vários metros enquanto pairam no ar.

Para determinar o principal método de conter a transmissão do vírus, os pesquisadores analisaram tendências nas taxas de infecção em três epicentros da pandemia: Wuhan (China), Itália e a cidade de Nova York. Eles analisaram as medidas de mitigação que estavam sendo usadas nesses locais, como testes extensivos, quarentena, rastreamento de contatos, distanciamento social e uso obrigatório de máscaras faciais.

Os pesquisadores compararam o momento em que essas medidas foram implementadas. Na China, todas as medidas foram implementadas ao mesmo tempo. Já na Itália e em Nova York, medidas de mitigação foram implementadas em diferentes momentos.

Isso permitiu aos pesquisadores avaliar a eficácia relativa das medidas. Eles descobriram que as taxas de infecção na Itália e em Nova York só começaram a diminuir depois que as máscaras se tornaram obrigatórias, não depois que o bloqueio foi realizado na Itália ou depois que as ordens de permanência em casa entraram em vigor em Nova York.

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As regiões do norte da Itália começaram a exigir máscaras em 6 de abril, com uso obrigatório em todo o país exigido em 4 de maio. O uso de máscara facial na cidade de Nova York passou a ser obrigatório a partir de 17 de abril. Os pesquisadores calcularam o número de infecções prevenidas entre essas datas e 9 de maio.

“A cobertura do rosto impede a transmissão aérea, bloqueando a atomização e a inalação de aerossóis portadores de vírus e evitando o derramamento viral de gotículas”, afirma o estudo. “Por outro lado, o distanciamento social, a quarentena e o isolamento, em conjunto com a higienização das mãos, minimizam a transmissão por contato (direta e indireta), mas não protegem contra a transmissão aérea".

O estudo observou que, em comparação com a China, o uso de máscaras faciais era impopular na maior parte do mundo ocidental durante o início do surto da pandemia. Mas os pesquisadores disseram que as evidências mostram que as máscaras funcionam para diminuir a propagação.

De acordo com eles, tanto a Organização Mundial de Saúde como os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA enfatizaram a prevenção da transmissão de contatos, mas ambas as organizações ignoraram amplamente a importância da rota de transmissão aérea.

“As atuais medidas de mitigação, como distanciamento social, quarentena e isolamento implementados nos Estados Unidos, são insuficientes para proteger o público”, escreveram os pesquisadores.

A equipe de cinco pesquisadores são da Universidade A&M do Texas, da Universidade do Texas, da Universidade da Califórnia em San Diego e do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

De acordo com a autoridade municipal de saúde de Nova York, a cidade tem pelo menos 205.846 casos de novo coronavírus e pelo menos 17.351 mortes confirmadas, com 4.692 mortes possíveis adicionais. O número de casos confirmados, hospitalizações e mortes diminuiu constantemente desde o pico no início de abril. A cidade de Nova York está oficialmente encerrando seu lockdown e diminuindo as restrições ao entrar na Fase 1 de sua reabertura na segunda-feira, dia 15 de junho.

A Itália está em um lockdown nacional desde 9 de março, mas o primeiro-ministro Giuseppe Conte disse em uma coletiva de imprensa em 11 de junho que o país está relaxando suas medidas de bloqueio de novo coronavírus para permitir que eventos esportivos profissionais, como a disputa da Copa Italia de futebol, sejam retomados com portões fechados.

Conte anunciou ainda a reabertura de outros estabelecimentos a partir de 25 de junho, incluindo acampamentos de verão, jardins de infância, salas de apostas e de bingo. Esportes não profissionais que envolvem contato físico também poderão ser retomados.

Livia Borghese, da CNN, contribuiu para esta reportagem.

(Texto traduzido, clique aqui e leia o original em inglês)