Troca de 2º escalão gerou 'voo às escuras' no Ministério da Saúde, diz Mandetta

Para ex-ministro, que deixou o cargo em abril, troca de equipe técnica traz perda de credibilidade às ações do ministério em meio à pandemia do novo coronavírus

Da CNN
23 de junho de 2020 às 13:19 | Atualizado 23 de junho de 2020 às 13:52

Em entrevista exclusiva à CNN na tarde desta terça-feira (23), o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou que a troca dos segundo e terceiro escalões da pasta da Saúde após sua saída do cargo, em abril, gerou um 'voo às escuras' nas ações do ministério.

"Acredito que em algum momento a gente [Brasil] se perdeu. Só de especialidades no ministério tínhamos 50 entidades. O duro é quando você troca o segundo, terceiro escalão e troca o seu aconselhamento, aí o ministério passou a um voo às escuras, não temos mais deles a credibilidade que a gente tinha. Isso é muito ruim, perder a credibilidade e o protagonismo que a pasta deveria ter este momento", explicou. 

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E acrescentou: "Quanto à sociedade, vemos a flexibilização de regras quando a metade da população acha inoportuno e outros acham que deveria ter aberto [ o comércio]. Falta critério com ciência e temos pessoas muito boas no Brasil que poderia nos ajudar a enfrentar muito melhor a pandemia"

Segundo ele, o ministro da Saúde é apenas porta-voz dessa equipe de técnicos e especialistas, que deveria ser mantida.

Mandetta também afirmou que não é possível aceitar a morte "por desassistência", que vem acontecendo em diversos estados do país. "Morrer por desasistência nada mais é do que você confessar que você não consegue atender sua sociedade", completou, citando o exemplo de Manaus.

Testes e vacinas

Mandetta também avaliou o avanço das medidas de combate à Covid-19 no país. O médico afirmou que, apesar de existirem pesquisas em andamento, não há nenhum método eficiente comprovado. 

"Nós temos claramente três avenidas de pesquisa: uma é teste -- PCR ou o de anticorpo. Nós não temos uma testagem boa hoje pela ciência.  Ainda estamos longe de uma testagem boa e de bancada. A segunda linha é a existência de um medicamento. Estamos fazendo inúmeros testes e nenhum deles demonstra eficácia comprovada. E por último, a vacina e nós temos algumas bem promissoras. A humanidade vai superar tudo isto através da ciência", acrescentou.

(Edição: Marina Motomura)