Entenda quais são os diferentes tipos de teste para a Covid-19


Stephanie Bevilaqua da CNN, em São Paulo
07 de maio de 2020 às 14:19 | Atualizado 07 de maio de 2020 às 16:33
Teste laboratorial de Covid-19.

Médico avalia que entre os três modelos disponíveis no Brasil, os testes rápidos 'mais atrapalham que ajudam'

Foto: Horth Rasur/Shutterstock 

“Temos uma simples mensagem: testem, testem, testem”, disse o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante pronunciamento oficial em março. Tedros reforçou a importância das iniciativas de testagem para evitar a ampliação da circulação do vírus.

“A forma mais eficaz de salvar vidas é quebrar a cadeia de transmissão. E para fazer isso, precisa testar e isolar. Não se pode apagar a fogo cego. Não conseguiremos parar a pandemia se não soubermos quem ela está infectado”, completou.

No Brasil, PCR, sorologia e exames rápidos são os três diferentes tipos de testes para detecção do novo coronavírus disponíveis atualmente. Entre eles, há pontos positivos e negativos específicos de cada modelo.

PCR

O RT-PCR (do inglês reverse-transcriptase polymerase chain reaction), é considerado o padrão-ouro (referência) no diagnóstico da Covid-19. A confirmação é obtida a partir da detecção do vírus, processo dado pela transformação do RNA, molécula responsável pela síntese de proteínas das células do corpo.

O exame exige pedido médico e a metodologia consiste na análise de uma amostra que é coletada por raspagem no nariz ou na garganta. "Ele é indicado a partir do terceiro dia de sintomas para o novo coronavírus, quando se relatam fortes dores de cabeça, dores no corpo e tosse seca", afirma o médico Paulo Olzon, infectologista, nefrologista e chefe de clínica médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

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O resultado é obtido entre 24 e 48 horas. Após o 10º dia de sintomas, ele já não é mais recomendado. “O que tem acontecido é que se encontre o vírus após esses dez dias dando um novo resultado positivo”, conta Olzon. “No entanto, seriam esses ‘restos do vírus’ – ou um ‘vírus morto’ – que já não causa mais sintomas”, explica.

Existem também diferentes metodologias e protocolos para a realização deste exame, bem como são fornecidos por distintintos fabricantes. Sendo assim, os resultados podem variar de um laboratório para o outro.

Sorologia
 
O exame de sorologia identifica a presença de anticorpos no sangue que combatem o vírus. Olzon explica que esse é o mesmo procedimento já realizado para a identificação da maioria de outras doenças infecciosas estimuladas por um vírus, como o HIV e a Hepatite B.

O exame também exige pedido médico parte da coleta de amostra sanguínea. Para que tenha maior sensibilidade no resultado, é recomendado que seja feito após pelo menos 10 dias do início dos sintomas. A recomendação do infectologista é que este seja realizado de duas a três semanas depois dos primeiros sinais da doença, justamente porque ele verifica a produção de anticorpos no organismo, que só surge depois de um período mínimo de exposição ao vírus.

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Portanto, vale ressaltar que já espera-se um falso negativo caso o exame seja realizado fora do período indicado. Aqueles que apresentarem quadros com sintomas leves – ou não apresentam nenhum sintoma – também podem ter um resultado negativado, pois não desenvolvem anticorpos detectáveis pelas metodologias disponíveis.

Sendo assim, esse exame seria mais indicado para a análise estatística do quadro de Covid-19, avaliada como extremamente relevante pelo o médico, por indicar caminhos para o tratamento de novos casos e adoção de medidas de prevenção da doença. 
 
Testes rápidos 

Diferente do exames de PCR e sorologia, os testes rápidos não necessitam equipamentos laboratoriais de apoio. Ainda assim, são dispositivos de uso profissional. Também dispensam pedido médico, mas não podem ser realizados pelo paciente, pois o diagnóstico clínico também é relevante para a detecção da doença.

A metodologia consiste no uso de uma lâmina de nitrocelulose (uma espécie de papel) que reage com a amostra de uma pequena quantidade de sangue. O resultado sai entre 10 e 30 minutos, pelo mesmo dispositivo que recebe o sangue e apresenta uma indicação visual em caso positivo – reação química entre antígeno (substância estranha ao organismo) e anticorpo (elemento de defesa do organismo).

Para especialistas, os testes rápidos são considerados um risco no combate à pandemia. “Justamente pela falta de qualidade que esses exames apresentam no mercado, eles mais atrapalham que ajudam”, afirma Paulo Olzon. “A pessoa tem um falso negativo como resultado, fica relaxada, não se trata e ainda pode contaminar outras pessoas”, conclui. 

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Em resultado divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 17 de abril deste ano, das 51 petições analisadas para registro do teste no Brasil, apenas 39 foram aprovadas.

E como a maioria dos testes rápidos existentes possuem sensibilidade e especificidade muito reduzidas em comparação as outras metodologias, apresentam maior risco de um falso resultado.

O Ministério da Saúde apontou, em 1º de abril, ainda sob gestão de Luiz Henrique Mandetta, que os testes rápidos apresentam uma taxa de erro de 75% para resultados negativos.

Estão disponíveis em algumas farmácias no Brasil, e as que adotarem o uso deverão utilizar os dispositivos regularizados junto à Anvisa e garantir o registro e a rastreabilidade dos resultados.

A Anvisa também reforça que as ações para redução do risco de transmissão do novo coronavírus são independentes dos resultados dos testes.