América Latina ainda não chegou ao pico da pandemia, diz OMS

Diretor evitou fazer previsões sobre o número de mortes que a Covid-19 pode causar na região

Fabrizio Neitzke, da CNN, em São Paulo
24 de junho de 2020 às 17:16 | Atualizado 24 de junho de 2020 às 19:21
Paciente com coronavírus é tratado em hospital em Manaus (AM)
Foto: Bruno Kelly - 03.jun.2020/Reuters
 
O diretor-executivo de emergências em saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou nesta quarta-feira (24) que a América Latina ainda não chegou ao pico da epidemia do novo coronavírus, classificando o momento como "intenso". 

Ryan evitou fazer previsões sobre o número de mortes que a Covid-19 pode causar na região, mas realçou que os níveis de transmissão têm crescido de maneira preocupante em diversos países, com uma alta entre 25 a 50% no número de casos na última semana. 

"A situação nas Américas ainda está evoluindo, sem ter chegado ao pico e que deve resultar em um número constante de casos e mortes nos próximos dias. Tentar prever o número de mortes não ajuda muito neste momento", disse o epidemiologista.

Segundo ele, a estratégia para o combate à doença deve ser feita envolvendo todas as esferas governamentais, exigindo uma comunicação clara com a população sobre as medidas a serem tomadas. O diretor também afirmou que os sistemas de saúde locais devem ser capazes de isolar, testar e rastrear os contatos de pessoas infectadas.

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Esta seria a única maneira de evitar possíveis novos lockdowns, explicou o médico. "Acho que ninguém quer voltar a isto. É muito difícil sair desta pandemia sem seguir estes passos", ressaltou. Líder técnica da OMS, Maria Van Kerkhove destacou que a temporada da gripe está começando na região, o que pode dificultar na identificação e tratamento dos pacientes. 

Questionado sobre o pico no Brasil, Michael Ryan enfatizou que as ações tomadas por um governo e pela população influem diretamente no número de casos. "O vírus não age sozinho. Ele explora uma vigilância fraca, sistemas de saúde fracos, governos pobres e a falta de educação e empoderamento das comunidades. É isto que precisamos tratar", disse.

Para Ryan, não existem "respostas mágicas" para que o Brasil saia da pandemia. "Olhem para os países que controlaram a doença. Vocês encontrarão as suas respostas", completou.