Conass diz que faltam sedativos para pacientes de Covid-19 em 20 estados

Amapá, Mato Grosso e Piauí são exemplos de estados que possuem estoque de medicamentos do chamado "kit intubação" para apenas dez dias ou menos

Kenzô Machida e Noeli Menezes, da CNN em Brasília
24 de junho de 2020 às 17:47 | Atualizado 24 de junho de 2020 às 17:49
Enfermeira monitora paciente internado com Covid-19 em hospital de São Paulo
Foto: Amanda Perobelli - 03.jun.2020 / Reuters

Pelo menos 20 estados sofrem com falta ou baixo estoque de sedativos utilizados na intubação de pacientes com Covid-19 na rede pública, segundo levantamento apresentado nesta quarta-feira (24) pelo Conselho Nacional de Secretarias de Saúde (Conass) em reunião da comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha ações de enfrentamento à pandemia.

Amapá, Mato Grosso e Piauí são exemplos de estados que possuem estoque de medicamentos do chamado "kit intubação" para apenas dez dias ou menos. Já Alagoas e os estados do Sul têm sedativos para pelo menos 30 dias.

Heber Dobis Bernarde, representante do Conass, disse ainda que 18 processos de compra abertos por secretarias de saúde estão com atraso na entrega e que, de 20 tentativas de novas compras, 13 foram rejeitadas.

O relato do Conass diverge das declarações do presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), Nelson Mussolini, que alegou que a demanda está sendo suprida e não há problema de abastecimento. Ele também negou sobrepreço.

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O Ministério da Saúde se propôs a comprar os sedativos e fazer a distribuição aos estados. A proposta, no entanto, foi rechaçada pelo presidente da Comissão Externa de Ações Contra o Coronavírus, deputado Dr. Luizinho (PP-RJ), que considerou a medida ineficaz e demorada.

Além disso, o Ministério da Saúde não poderia distribuir os insumos para hospitais privados e filantrópicos, que também enfrentam dificuldade para comprar os medicamentos.

Luizinho defendeu que o governo tabele preços e que os órgãos competentes fiscalizem eventuais ações que ferem a competitividade.