Pelo menos 730 morreram em fila de espera de hospitais no RJ, diz Defensoria

Ainda de acordo com o órgão, outras 104 pessoas morreram em unidades de atenção básica

Stéfano Salles e Lucas Janone, da CNN no Rio de Janeiro
23 de julho de 2020 às 19:56
Hospital de campanha para pacientes da Covid-19 no estádio do Maracanã
Hospital de campanha para pacientes da Covid-19 no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro
Foto: Rogério Santana/Divulgação Governo do RJ (9.mai.2020)

Pelo menos 730 pessoas morreram à espera de internação em leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) e nas enfermarias dos hospitais públicos do Rio de Janeiro desde o início da pandemia de Covid-19. O levantamento foi feito pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, mas o órgão acredita que esse número possa ser ainda maior, ultrapassando 800 vítimas fatais.

Ainda de acordo com o órgão, outras 104 pessoas morreram em unidades de atenção básica, antes mesmo que o pedido de transferência para um hospital fosse formalizado no Sistema Estadual de Regulação (Sisreg).

Os números levantados pela Defensoria Pública se baseiam em números apurados entre abril e junho, momento de pico da doença, quando o estado viveu o período mais severo das medidas restritivas de distanciamento social.

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A Defensoria Pública pediu na terça-feira (22) que o Judiciário obrigue o estado explicar os critérios de formulação dos dados de saúde divulgados pelo governo durante a pandemia. O documento pede que Executivo esclareça como foram calculadas a taxa de ocupação de leitos e a incidência de óbitos motivados por Covid-19 nos 92 municípios fluminenses.

Durante aquele que foi, até aqui, o pico da doença no Rio de Janeiro, as UTIs dos hospitais públicos tiveram taxa de ocupação superior a 90%. Nas enfermarias, o patamar de ocupação superou os 75%.  

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde informou que não tem detalhes do levantamento e não recebeu nenhuma notificação judicial com base na ação da Defensoria.